Confiança do comércio avança em abril após dois meses de queda

REUTERS/ Paulo Whitaker

Índice de Confiança do Comércio (ICOM) sobe 1,6 ponto, impulsionado pela melhora na demanda atual, apesar de perspectivas futuras negativas

A confiança do comércio melhorou em abril após dois meses de queda, refletindo aumento na demanda atual, mas com expectativas futuras ainda pessimistas.

O avanço da confiança do comércio em abril e seu impacto no varejo brasileiro

Em abril de 2026, a confiança do comércio no Brasil registrou um avanço significativo após dois meses consecutivos de queda. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 1,6 ponto, alcançando 86,2 pontos, um movimento que reflete uma melhora na percepção sobre a demanda atual no setor varejista. Geórgia Veloso, economista do FGV/Ibre, destaca que essa recuperação foi puxada sobretudo pela melhora da demanda atual, apesar de um cenário ainda marcado por expectativas pessimistas quanto à sustentação dessa recuperação nos próximos meses.

Esse ambiente desafiador é explicado pelo contexto econômico vigente, que inclui taxas de juros elevadas e pressões inflacionárias contínuas, impactando o poder de compra dos consumidores e, consequentemente, a confiança dos empresários do comércio.

Análise detalhada dos subíndices do ICOM e suas variações recentes

O Índice de Situação Atual (ISA-COM), que mede a percepção sobre o momento corrente no comércio, avançou 3,2 pontos em abril, atingindo 88,0 pontos. Esse crescimento foi impulsionado pelo indicador de volume da demanda atual, que subiu 5,6 pontos após duas quedas consecutivas, e pelo indicador da situação atual dos negócios, que teve alta de 0,8 ponto.

Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE-COM), que avalia as perspectivas futuras, manteve-se estável em 85,1 pontos. Nessa categoria, houve aumento nas expectativas sobre a tendência dos negócios, mas queda no volume de demanda prevista pelo terceiro mês seguido, evidenciando uma visão cautelosa do mercado para os próximos meses.

A combinação desses movimentos aponta para uma recuperação inicial no presente, porém com reservas quanto à continuidade dessa melhora, refletindo incertezas econômicas e desafios estruturais no setor.

Segmentação do ICOM por tipo de consumo e sinais de volatilidade

Ao analisar o ICOM segmentado por tipo de consumo, observa-se que a reversão positiva vista no final de 2025 não se sustentou no primeiro trimestre de 2026. O segmento de bens duráveis, que liderou a recuperação, apresentou leve recuo, embora continue no patamar mais elevado entre os grupos.

Os bens não duráveis, que tiveram forte reação no final do ano passado, perderam dinamismo e devolveram parte dos ganhos recentes. Já os bens semiduráveis continuam com o menor nível de confiança, apresentando trajetória volátil e sem sinais claros de recuperação consistente.

Esse comportamento evidencia a sensibilidade do comércio varejista às condições financeiras restritivas e à conjuntura econômica, reforçando as dificuldades enfrentadas por diferentes segmentos dentro do setor.

Consequências econômicas e perspectivas para o comércio no segundo trimestre de 2026

O início do segundo trimestre de 2026 traz um panorama ainda marcado por incertezas e desafios para o comércio brasileiro. A confiança do setor, embora tenha apresentado melhora em abril, permanece condicionada a fatores macroeconômicos como a política monetária e a inflação.

A pressão sobre o poder de compra dos consumidores dificulta a sustentação do crescimento da demanda, refletindo-se nas expectativas cautelosas observadas entre os empresários. Essa conjuntura sugere que o comércio deverá operar em um ambiente de volatilidade, exigindo estratégias de adaptação e cautela para os próximos meses.

Em síntese, a análise do Índice de Confiança do Comércio indica uma leve retomada no curto prazo, porém com perspectivas fragilizadas para o futuro, exigindo atenção constante às dinâmicas econômicas que influenciam o setor.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/ Paulo Whitaker

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