Pesquisa revela que até 30 de maio, cidadãos dedicam metade do ano ao pagamento de tributos federais, estaduais e municipais
Em 2026, brasileiro trabalha até 30 de maio apenas para pagar impostos, totalizando 150 dias dedicados ao fisco, segundo IBPT.
O impacto dos dias trabalhados para pagar imposto no orçamento do brasileiro
Até o sábado, 30 de maio de 2026, o brasileiro destinou seus dias úteis exclusivamente para pagar impostos, somando 150 dias trabalhados para essa finalidade. O cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) considera a incidência de tributos sobre a renda, consumo e patrimônio, envolvendo desde o Imposto de Renda até impostos municipais.
O diretor do IBPT destaca o crescimento constante da carga tributária nos últimos anos, que tem pressionado o orçamento das famílias e comprometido significativamente a renda disponível, principalmente para a faixa salarial entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, a mais impactada segundo o estudo.
Metodologia para cálculo dos dias trabalhados e variações por faixa salarial
A análise do IBPT leva em conta três faixas de renda: até R$ 3.000, entre R$ 3.000 e R$ 10.000, e acima de R$ 10.000 mensais. O instituto pondera as alíquotas de tributos federais, estaduais e municipais cobrados de maio de 2025 a abril de 2026, incluindo IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, além de diversas taxas e contribuições.
Os resultados indicam que a maior quantidade de dias trabalhados para pagar imposto está na faixa entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, enquanto a faixa inferior até R$ 3 mil é a que possui maior percentual da renda comprometida, chegando a 23,4%. A faixa acima de R$ 10 mil tem um impacto proporcionalmente menor, embora a carga tributária continue elevada.
Aumento das alíquotas e novos tributos que elevaram a carga tributária
Entre maio de 2025 e maio de 2026, diversos estados elevaram alíquotas do ICMS, como Maranhão (22% para 23%), Rio Grande do Norte (18% para 20%) e Piauí (21% para 22,5%). Também houve elevação de 20% nas alíquotas incidentes sobre importações via Programa Remessa Conforme em dez estados, além da cobrança do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, vigente desde agosto de 2024, ainda que recentemente zerado.
Além disso, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aumentou, atingindo crédito para empresas, operações de câmbio, previdência privada e seguros. Outros tributos tiveram elevação, como a CSLL que impactou fintechs e instituições financeiras, o Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio, e tarifas de importação de produtos tecnológicos.
Consequências econômicas e sociais da alta tributação em 2026
O aumento contínuo dos dias trabalhados para pagar imposto sinaliza uma maior pressão sobre o poder de compra dos brasileiros, refletindo na redução do consumo e potencial desaceleração econômica. A elevada carga tributária pode agravar desigualdades, especialmente para trabalhadores das faixas de renda média e baixa, que dedicam parcela significativa de seus ganhos ao pagamento de tributos.
Especialistas apontam que a complexidade do sistema tributário brasileiro e a multiplicidade de impostos contribuem para o aumento dos custos para cidadãos e empresas, o que pode afetar investimentos e geração de empregos.
Cenário futuro e perspectivas para a carga tributária no Brasil
A evolução histórica mostra um aumento gradual dos dias trabalhados para quitar impostos desde 1986, quando a média era de 82 dias, quase a metade dos 150 dias atuais. Se as tendências de elevação de alíquotas e criação de novos tributos persistirem, a carga tributária pode continuar crescendo, impactando ainda mais a economia doméstica e a competitividade do país.
Reformas tributárias são apontadas como necessárias para simplificar o sistema, reduzir a carga sobre o consumo e distribuir de forma mais justa os encargos fiscais, buscando aliviar a pressão sobre os trabalhadores e fomentar o desenvolvimento econômico sustentável.
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Este levantamento reforça a importância do debate público sobre a tributação no Brasil e os reflexos diretos na vida do cidadão comum, que em 2026 dedica mais da metade do ano apenas para cumprir suas obrigações fiscais.
Fonte: www.infomoney.com.br
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