Brasil deve anunciar política de terras raras ainda em 2026

Serra Verde)

Governo planeja diretrizes para minerais críticos sem criar empresa estatal, destaca ANM

Brasil prepara política de terras raras para desenvolver mineração e refino, sem criar estatal, conforme ANM.

O Brasil deve anunciar uma política de terras raras e minerais críticos nos próximos meses, conforme declarou Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), em Brasília. A política de terras raras, prevista para ser implementada ainda em 2026, não prevê a criação de uma empresa estatal no setor, contrariando algumas propostas que circulam no Congresso Nacional. Essa iniciativa visa estruturar o desenvolvimento do setor mineral brasileiro com foco em agregar valor e ampliar a capacidade industrial ligada ao processamento desses minerais estratégicos.

Entenda a relevância da política de terras raras para o Brasil

A política de terras raras é fundamental para o Brasil, pois o país possui grandes reservas desses minerais essenciais para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de o Brasil não ser apenas um exportador de commodities, mas também desenvolver a capacidade interna de processamento. Isso pode gerar empregos qualificados e fortalecer a indústria nacional, reduzindo a dependência externa em setores estratégicos, como eletrônicos e energias renováveis.

Projetos de lei e a ausência de estatal no debate governamental

Atualmente, tramitam no Congresso Nacional cerca de 13 projetos de lei relacionados a minerais críticos e terras raras, incluindo propostas para a criação de uma entidade estatal denominada ‘Terrabras’. Contudo, conforme Mauro Sousa e Carlos Leonardo Durans, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo federal não planeja estabelecer uma estatal para o setor. O foco está na formulação de uma política que facilite a entrada de capital privado, com contrapartidas para agregar valor ao produto nacional, além de incluir o urânio no escopo dessa política nacional.

Desafios para o desenvolvimento da mineração de terras raras no Brasil

Apesar das reservas, o avanço do Brasil na mineração e refino de terras raras encontra obstáculos técnicos e econômicos. Segundo a Associação Brasileira de Mineração (Ibram), a limitação na capacidade de separação e refino em escala industrial é um dos principais entraves. Além disso, o setor enfrenta dificuldades como financiamento insuficiente e incerteza jurídica, que inibem investimentos robustos. Julio Nery, diretor de assuntos de mineração do Ibram, destaca que as pesquisas promissoras em argilas iônicas ainda demandam estudos geológicos e licenciamento ambiental, podendo levar até 10 anos para o desenvolvimento de uma mina desde o início da exploração.

Perspectivas para o futuro da mineração de terras raras no Brasil

O anúncio da política nacional de terras raras marcará um passo importante para organizar e estimular o setor mineral estratégico no país. A expectativa é que, com diretrizes claras e estímulos adequados, o Brasil possa atrair investimentos e desenvolver tecnologias para refino e processamento, agregando valor às suas reservas. O diálogo entre governo, setor privado e legislativo será crucial para superar os desafios e transformar o potencial mineral em ganhos econômicos e tecnológicos para a economia brasileira.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Serra Verde)

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