Copom corta taxa básica em 0,25 ponto percentual e ressalta a importância de avaliar impactos do conflito no Oriente Médio
O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,50% ao ano, mantendo a cautela diante da instabilidade global e dos impactos nos preços.
Decisão do Banco Central sobre a taxa Selic em fevereiro de 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,50% ao ano, em sua terceira reunião de 2026. Esta decisão foi tomada em meio a um cenário global marcado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que tem gerado incertezas e elevado os preços do petróleo. O presidente do Comitê, Gabriel Muricca Galípolo, foi um dos membros que votaram unânimes pela redução da taxa, reforçando a necessidade de cautela na condução da política monetária diante da volatilidade externa.
Impactos da guerra no Oriente Médio sobre a política monetária brasileira
A taxa Selic e a política monetária brasileira seguem sensíveis aos efeitos do conflito no Oriente Médio, principalmente pelo impacto nos preços globais de commodities e nas condições financeiras internacionais. O Banco Central sinalizou que continuará avaliando cuidadosamente os desdobramentos do conflito para ajustar a política conforme novas informações. Essa postura visa incorporar os riscos inflacionários provenientes da cadeia de suprimentos global e das oscilações no preço do petróleo, que influenciam diretamente os índices de inflação domésticos.
Desaceleração econômica e resiliência do mercado de trabalho no Brasil
No cenário interno, o conjunto de indicadores revela uma moderação gradual do crescimento econômico, como previsto pelo Copom. Apesar disso, o mercado de trabalho brasileiro permanece com sinais de resiliência, apontando para uma inflação que continua acelerada e afastada da meta estipulada. Isso reforça a necessidade de manter uma taxa básica de juros em nível restritivo, ainda que com espaço para ajustes graduais.
Riscos inflacionários e projeções para os próximos anos
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 continuam acima da meta, com projeções oficiais indicando 4,9% e 4,0%, respectivamente. Dentre os riscos para a inflação, destacam-se a possibilidade de desancoragem das expectativas inflacionárias, maior resistência da inflação de serviços e efeitos combinados de políticas econômicas externas e internas que possam depreciar a taxa de câmbio de forma persistente. Por outro lado, cenários de desaceleração econômica mais forte e queda nos preços de commodities também são considerados riscos de baixa para a inflação.
Estratégia de calibração futura da taxa básica de juros
O Copom enfatizou a importância de manter serenidade e cautela na condução futura da política monetária. A decisão de reduzir a Selic para 14,50% é coerente com a estratégia de convergência da inflação à meta no horizonte relevante, mas os próximos passos dependerão da evolução do cenário externo e das informações sobre os impactos do conflito no Oriente Médio. A política monetária seguirá calibrando o ritmo e a extensão de seus ajustes para garantir a estabilidade de preços, suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Fonte: www.infomoney.com.br