Produtores de carne bovina do Canadá alertam para riscos à segurança alimentar diante do progresso das tratativas comerciais com o Mercosul
Pecuaristas canadenses criticam avanço da negociação de acordo com Mercosul, alertando para impacto na segurança alimentar e aumento de importações.
Avanço nas negociações entre Mercosul e Canadá e reação dos pecuaristas canadenses
O avanço nas negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá, anunciado na última semana, gerou uma forte reação entre os pecuaristas canadenses. A negociação de acordo com Mercosul é vista como uma ameaça à segurança alimentar do país, pois pode aumentar significativamente a dependência de importações de carne bovina, uma preocupação levantada pela Associação Canadense de Gado (CCA).
Tyler Fulton, presidente da CCA, destaca que o crescimento das importações já é uma realidade, com os níveis mais altos desde 1993, representando 30% do consumo doméstico de carne bovina no Canadá. Esse percentual é superior ao verificado em outras regiões importantes, como Estados Unidos, União Europeia, Austrália e até mesmo no próprio Mercosul.
Impactos ambientais e qualidade da carne brasileira na visão canadense
A Associação Canadense de Gado enfatiza que a carne produzida localmente tem menor impacto ambiental, gerando 50% menos emissões de gases do efeito estufa em comparação com a importada. Além disso, o setor canadense contribui para a preservação das pastagens, consideradas um ecossistema vital e ameaçado.
Para os produtores canadenses, a carne bovina nacional é sinônimo de sustentabilidade, altos padrões de bem-estar animal e mão de obra qualificada. Fulton ressalta que esses aspectos conferem à carne canadense uma qualidade premium reconhecida internacionalmente. A entrada de produtos vindos do Brasil e Austrália, países com padrões distintos, traz preocupações quanto à diminuição da qualidade e possíveis impactos negativos ambientais e sociais.
Segurança alimentar e posição crítica da Associação Canadense de Gado
A negociação de acordo com Mercosul levanta dúvidas sobre a coerência do governo canadense em sua política de segurança alimentar. A CCA aponta uma contradição entre o discurso oficial, que prevê a proteção do abastecimento interno, e a decisão de acelerar as negociações comerciais que podem prejudicar os produtores locais.
A entidade alerta que a diversificação do comércio deve ser feita com critérios claros e que não se pode abrir mão da qualidade e da sustentabilidade em nome da ampliação de mercados. A preocupação central é que a abertura possa comprometer a viabilidade econômica do setor pecuário canadense, colocando em risco a produção doméstica e seus benefícios ambientais.
Expectativas sobre o impacto do acordo para o mercado de carnes no Canadá
Com a exclusão recente da China como importadora de carne australiana, o Canadá deve receber um volume maior de produtos importados, especialmente do Brasil e Austrália, como consequência do acordo com o Mercosul. Essa mudança pode alterar significativamente a dinâmica do mercado interno e afetar tanto os preços quanto a oferta.
Os pecuaristas canadenses veem com cautela essa perspectiva, pois temem que a entrada de carne bovina de outros países possa contar com padrões inferiores quanto a saúde animal, segurança alimentar, condições de trabalho e proteção ambiental.
Perspectivas para as negociações e posicionamento dos setores envolvidos
Enquanto o governo canadense busca concluir as negociações rapidamente para ampliar seus mercados, os pecuaristas apelam para uma análise mais detalhada dos riscos envolvidos. A Associação Canadense de Gado defende que o setor produtivo seja considerado nas decisões, garantindo que o acordo não comprometa a sustentabilidade e o desenvolvimento da pecuária nacional.
A negociação de acordo com Mercosul permanece em destaque no cenário econômico e político, trazendo à tona questões complexas sobre comércio internacional, sustentabilidade e segurança alimentar, que serão determinantes para o futuro da produção de carne no Canadá.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: (Hermes Rivera/Unsplash)