Produção filmada no Paraná revive o maior assalto com reféns da história do país e ganha destaque internacional ao integrar programação do Festival do Cinema Brasileiro de Paris
Longa-metragem baseado em caso real ocorrido em 1987 retrata episódio que marcou a história policial brasileira e mobilizou centenas de pessoas, além de valorizar profissionais e cenários do norte do Paraná.
Filme gravado em Londrina ganha projeção internacional em festival na França
O filme Assalto à Brasileira, gravado em Londrina, no norte do Paraná, foi exibido na França durante o 28º Festival do Cinema Brasileiro de Paris, evento que reúne produções nacionais e promove o cinema brasileiro no exterior. A exibição ocorreu na última quinta-feira (9), e a mostra segue com programação até o dia 14, reunindo obras recentes e produções independentes que representam diferentes regiões do país.
A participação do longa no festival representa um importante reconhecimento internacional para uma produção que tem forte ligação com o Paraná, tanto pelo cenário quanto pela história retratada. Filmado entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro de 2024, o projeto mobilizou a cidade de Londrina, gerando empregos temporários, movimentando a economia local e envolvendo profissionais de diversas áreas da indústria audiovisual.
História do filme resgata o maior assalto com reféns já registrado no Brasil
O longa é inspirado no livro homônimo do escritor londrinense Domingos Pellegrini e narra um dos episódios mais marcantes da crônica policial brasileira: o assalto à agência do Banestado, ocorrido em 10 de dezembro de 1987, data que coincidiu com o aniversário de 53 anos de Londrina. Na ocasião, sete homens armados invadiram o banco e mantiveram mais de 300 pessoas reféns, configurando o maior número de reféns já registrado em um crime desse tipo no país.
Os criminosos exigiram uma quantia milionária em dinheiro e prolongaram o sequestro por várias horas, atraindo atenção nacional e mobilizando forças policiais, autoridades e a população local. Em meio à grave crise econômica enfrentada pelo Brasil na década de 1980, marcada por inflação elevada e instabilidade financeira, parte da população chegou a demonstrar simpatia pelos assaltantes, tratando-os como figuras que simbolizavam revolta contra o sistema econômico da época.
Personagem central é jornalista que se tornou peça-chave nas negociações
Um dos protagonistas da história é o jornalista Paulo Ubiratan, interpretado pelo ator Murilo Benício. No enredo, ele aparece como um profissional recém-demitido que estava na agência bancária no momento da invasão e acabou se tornando uma figura central nas negociações entre os criminosos e as autoridades. A atuação do jornalista foi determinante para a comunicação com os sequestradores e ajudou a reduzir tensões durante o episódio.
Além de Murilo Benício, o elenco conta com nomes conhecidos do cinema e da televisão brasileira, como Christian Malheiros, que interpreta o líder do assalto, além de Fernanda de Freitas, Augusto Madeira, Robson Nunes e Paulo Miklos. A combinação de atores experientes e jovens talentos contribuiu para a construção de uma narrativa que mistura tensão policial, drama humano e elementos de humor característicos da cultura brasileira.
Produção destaca ambientação histórica e retrata realidade da década de 1980
Um dos pontos fortes do filme é a reconstrução visual da década de 1980, período marcado por transformações econômicas e sociais no Brasil. A equipe de produção investiu em figurinos, cenários e objetos de época para reproduzir com fidelidade o ambiente urbano de Londrina naquele período, incluindo a agência bancária, redações jornalísticas e a movimentação popular nas ruas.
A direção de arte e a fotografia buscaram criar uma atmosfera realista e envolvente, transportando o público para o contexto histórico do crime. Mesmo com a tensão típica de um thriller policial, o filme também incorpora momentos de humor e situações inusitadas que ocorreram durante o sequestro, refletindo a forma peculiar como o episódio foi percebido pela população na época.
Produção gerou oportunidades para profissionais locais e movimentou a economia
As gravações do longa também tiveram impacto direto na economia e no mercado de trabalho da região. Profissionais locais foram contratados para atuar em diversas áreas da produção, incluindo maquiagem, figurino, logística, segurança e apoio técnico. Uma das participantes foi a maquiadora Jamile Cristine Rodrigues, natural de Rolândia, que integrou a equipe de caracterização liderada por Bob Paulino.
Segundo ela, o trabalho exigiu preparação intensa e organização para atender ao grande número de figurantes e atores envolvidos nas cenas. Em alguns dias de filmagem, a equipe chegou a caracterizar cerca de 300 pessoas, especialmente nas sequências que reproduzem o momento do assalto e a presença de reféns dentro da agência bancária.
Antes da estreia nacional, filme já foi exibido em festivais e eventos culturais
Mesmo antes de chegar oficialmente aos cinemas brasileiros, Assalto à Brasileira já teve exibições especiais em eventos culturais e festivais de cinema, incluindo o Festival Kinoarte 2025, realizado em Londrina. A participação em mostras nacionais e internacionais demonstra o potencial da produção para alcançar um público amplo e reforça a importância do cinema regional na preservação da memória histórica.
Especialistas avaliam que o filme contribui para revisitar um episódio que marcou profundamente a cidade e o país, permitindo que novas gerações conheçam um acontecimento real que, por suas características incomuns, ficou conhecido como uma das histórias policiais mais surpreendentes do Brasil. A expectativa é que o longa ganhe destaque nas salas de cinema e em plataformas de streaming após sua estreia oficial.
Fonte: Redação / Festival do Cinema Brasileiro de Paris / Omelete
Fonte: Divulgação