A primeira edição da Feira Coreana Hallyu Fest, realizada em Curitiba neste fim de semana na Praça Afonso Botelho, certamente chamou atenção. Milhares de pessoas lotaram o espaço para celebrar a cultura coreana, com atrações que incluíam K-pop, K-dramas, culinária, artes marciais, oficinas culturais e cosplay. Mas, apesar da empolgação inicial e do entusiasmo do público, o evento revelou uma face frustrante: a falta de estrutura e a superlotação comprometeram a experiência de grande parte dos visitantes.
O movimento intenso já se mostrou um problema no primeiro dia, sábado (23). As filas para experimentar os pratos típicos ultrapassaram duas horas, evidenciando a desproporção entre o número de participantes e a capacidade da feira. Muitos visitantes que haviam se deslocado especialmente para experimentar a gastronomia coreana saíram frustrados, sem conseguir sequer provar os pratos que despertaram tanta expectativa. Embora a chef Helena Jang tenha conduzido aulas-show de culinária, a quantidade de pessoas tornou praticamente impossível que todos participassem de maneira organizada.
Além da gastronomia, outras atrações também sofreram com a superlotação. As oficinas de Hangul, que permitiam aos visitantes aprender os primeiros traços do alfabeto coreano, ficaram sobrecarregadas, limitando a interação efetiva do público. As apresentações de dança, incluindo grupos covers de K-pop, e os shows da DJ Starlight, embora bem executados, não foram plenamente apreciados por todos, já que o excesso de pessoas dificultava a visão e a circulação na praça.
No domingo (24), mesmo com o frio intenso, o público continuou comparecendo em massa. Se por um lado isso reforça a paixão pela onda Hallyu, por outro evidencia que a organização subestimou o interesse do público. Estruturas básicas, como pontos de alimentação, banheiros, áreas de descanso e sinalização, mostraram-se insuficientes para atender à demanda real. A experiência, que poderia ter sido imersiva e agradável, acabou sendo marcada por esperas longas, desconforto e frustração para aqueles que esperavam aproveitar todas as atrações.
A feira trouxe elementos importantes da cultura sul-coreana, incluindo demonstrações de Taekwondo e Hapkido, atividades educativas e a possibilidade de interagir com a gastronomia e a moda coreana. No entanto, a execução deixou a desejar, comprometendo a experiência global. A combinação de um público muito maior que o previsto e planejamento insuficiente gerou um contraste entre a expectativa e a realidade vivida pelos visitantes.
A frustração ficou ainda mais evidente considerando que o ingresso era gratuito. Muitos participantes acreditaram que a facilidade de acesso significaria organização eficiente e condições para desfrutar de todas as atrações, mas acabaram enfrentando longas filas e limitações de espaço. O excesso de público não apenas prejudicou a experiência, como também levantou questões sobre segurança e conforto, dois pontos fundamentais em qualquer evento de grande porte.
Para futuras edições, é crucial que a organização reavalie a logística, incluindo controle de público, dimensionamento das atrações, estrutura de alimentação, banheiros, circulação e acessibilidade. O potencial do evento é indiscutível — Curitiba mostrou que há interesse e demanda por experiências relacionadas à cultura coreana. Contudo, sem melhorias na infraestrutura e no planejamento, a frustração dos visitantes pode ofuscar o sucesso do público e comprometer a imagem da feira.
A Hallyu Fest tem todos os ingredientes para se tornar referência nacional, mas a primeira edição evidencia que sucesso de público não é sinônimo de sucesso total do evento. É preciso equilibrar a empolgação do público com estrutura adequada, garantindo que cada participante possa viver plenamente a cultura coreana, sem passar por frustrações evitáveis. A próxima edição será o verdadeiro teste para saber se a Hallyu Fest consegue transformar o interesse e entusiasmo do público em uma experiência realmente memorável.