Mercado de DDG e DDGS deve ultrapassar 15 milhões de toneladas até 2030, impulsionando a pecuária nacional e exportações
A produção de DDG no Brasil deve superar 15 milhões de toneladas até 2030, acompanhando a expansão do etanol de milho e o crescimento da pecuária.
Confira a projeção de produção e consumo de DDG até 2030
Produção prevista: mais de 15 milhões de toneladas de DDG até 2030
Consumo interno estimado: mais de 10 milhões de toneladas, puxado pela bovinocultura, suinocultura e pecuária leiteira
Número de biorrefinarias previstas: cerca de 60 em operação até o fim da década
Abate de gado em 2025: 46,9 milhões de cabeças, com 10 milhões em confinamento
Abate de suínos anual: cerca de 70 milhões de cabeças
Produção anual de leite: 28 bilhões de litros
A produção de DDG como vetor da intensificação da pecuária brasileira
A produção de DDG tem avançado junto com o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil, estabelecendo uma nova fronteira para o agronegócio nacional. Este subproduto sólido, rico em proteínas, fibras e minerais, é fundamental para a nutrição animal. Segundo João Otávio de Assis Figueiredo, líder da área de pecuária da Datagro, “a integração entre a pecuária e o etanol de milho é uma mola propulsora da intensificação produtiva”. A necessidade de animais mais jovens e eficientes para exportação estimula o uso de DDG como insumo competitivo.
Novos mercados e o papel das exportações para a expansão do setor
O crescimento da demanda internacional, especialmente da China, tem modificado a dinâmica dos preços e incentivado investimentos na produção brasileira de DDG. A China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, recebeu volumes superiores a 1,6 milhão de toneladas. O Brasil conta com 65 plantas habilitadas para exportação à China, sendo 15 delas no Mato Grosso, maior produtor nacional de milho. Além disso, parcerias entre a UNEM e a ApexBrasil visam promover o DDG brasileiro em mercados da Ásia e do Oriente Médio, destacando atributos como qualidade e sustentabilidade.
Vantagens competitivas do modelo de produção tropical para uso do DDG
O Brasil possui uma vantagem competitiva por combinar pastagem com suplementação alimentar, em contraste com os Estados Unidos, onde a maior parte do rebanho é confinada. O DDG não contém amido, favorecendo a digestão da fibra no rúmen e melhor aproveitamento do pasto tropical. Este cenário impulsiona sistemas como semi-confinamento e terminação intensiva a pasto (TIP), que já representam uma parcela significativa da produção nacional. Atualmente, mais de 50% dos pecuaristas brasileiros utilizam algum nível de suplementação.
Integração e coordenação para garantir competitividade e escoamento da produção
Especialistas destacam que o crescimento do DDG no Brasil depende da coordenação entre as cadeias produtivas. Pedro Veiga, gerente global da Cargill Animal Nutrition, ressalta que “a integração entre usinas de etanol, pecuaristas e mercado internacional será determinante para garantir competitividade e escoamento da produção”. A diversificação do uso do DDG em diferentes sistemas produtivos, incluindo aqueles a pasto, é fundamental para equilibrar oferta e demanda e expandir novos mercados além do boi confinado.
O avanço da produção de DDG e DDGS no Brasil indica um novo ciclo de desenvolvimento para o agronegócio, com potencial de transformar a cadeia produtiva da pecuária e fortalecer a presença do país nos mercados internacionais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br