Preços do trigo recuam em chicago após alta sustentada e realização de lucros

Mercado de commodities registra queda nos contratos futuros de trigo, milho e soja com influência do clima e demanda interna americana

Preços do trigo recuam em Chicago influenciados por realização de lucros e condições da safra nos EUA, enquanto milho e soja também registram queda.

Contexto da queda nos preços do trigo na Bolsa de Chicago em 5 de fevereiro de 2026

Os preços do trigo recuaram em Chicago na terça-feira, 5 de fevereiro de 2026, influenciados principalmente pela realização de lucros após semanas de valorização significativa. O contrato futuro do trigo com entrega para julho fechou cotado a US$ 6,277 por bushel, uma queda de 2,06%. Esse movimento ocorre em um cenário de preocupação com a safra de inverno, sobretudo no estado do Kansas, que apresenta condições abaixo da média para o período.

A Granar SA, uma referência em análises do mercado agrícola, destacou que os fundos de investimento foram responsáveis pela venda de contratos para realização de lucros, após o trigo atingir seu preço mais elevado em quase dois anos. Ao mesmo tempo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que a condição do trigo de inverno em boas ou excelentes condições subiu apenas de 30% para 31%, ainda muito inferior ao percentual de 51% no ano anterior. No Kansas, essa classificação caiu de 23% para 22%, refletindo desafios para os produtores locais.

Impacto do clima e da demanda americana sobre milho e soja

Além do trigo, os contratos futuros do milho e da soja também registraram quedas em Chicago. O milho para julho fechou em US$ 4,800 por bushel, com retração de 1,18%, devido ao ritmo acelerado de plantio nos EUA que favorece a oferta. A soja recuou 0,92%, cotada a US$ 12,115 por bushel, com os investidores realizando lucros em função do avanço das plantações da safra 2026/2027.

A consultoria Royal Rural apontou que a demanda interna americana por biocombustíveis, especialmente a produção de biodiesel, tem elevado o consumo de soja e milho. A legislação que permite a circulação do combustível E-15 durante todo o ano está em análise e, se aprovada, poderá estimular ainda mais as exportações desses grãos. O USDA indicou que o plantio do milho atingiu 38% da área projetada, enquanto o da soja alcançou 33%, ambos adiantados em relação ao ano anterior.

Relação entre mercado de commodities e volatilidade do petróleo no cenário atual

O mercado agrícola americano tem apresentado maior sensibilidade às oscilações dos preços do petróleo, principalmente em função da crescente integração entre biocombustíveis e combustíveis fósseis. Rumores sobre possíveis cessar-fogos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio geram volatilidade nos preços do petróleo, impactando diretamente as expectativas de demanda para soja e milho.

Essa relação complexa evidencia a necessidade de os investidores acompanharem com atenção não apenas os fatores climáticos e agrícolas, mas também as dinâmicas geopolíticas e econômicas internacionais que influenciam o mercado de commodities agrícolas.

Evolução do plantio e perspectivas para a safra 2026 nos Estados Unidos

Os relatórios semanais do USDA indicam progresso consistente no plantio das principais culturas americanas. O milho atingiu 38% de plantio da área estimada de 38,58 milhões de hectares, enquanto a soja está em 33% dos 34,28 milhões de hectares projetados. Esses avanços estão deixando o mercado otimista quanto à oferta interna, apesar das condições climáticas variáveis.

Por outro lado, a safra de trigo de inverno enfrenta desafios, principalmente no Kansas, com condições abaixo do esperado para o desenvolvimento saudável das plantas. Isso mantém o mercado atento às possíveis variações na produção e seus efeitos nos preços globais.

A safra brasileira de soja e seu impacto no mercado internacional

No Brasil, a colheita de soja já está bastante avançada, com 94,7% concluídos, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse cenário contribui para o equilíbrio global da oferta, influenciando as decisões dos investidores e exportadores.

A interação entre as safras americana e brasileira é fundamental para o mercado mundial de soja, já que ambos os países são os maiores produtores e exportadores do grão. O ritmo de colheita brasileiro e o início do plantio americano são indicadores-chave para antecipar tendências de preços e volumes comercializados no mercado internacional.

Este panorama detalhado dos preços do trigo, milho e soja destaca a importância da análise integrada entre fatores climáticos, políticos e econômicos para compreender as movimentações do mercado de commodities agrícolas na Bolsa de Chicago e suas implicações globais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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