Após habeas corpus concedido pelo STJ, a Polícia Federal solicita prisão preventiva para investigados na Operação Narco Fluxo
PF pede prisão preventiva de MC Ryan, Poze do Rodo e dono da página Choquei após STJ conceder habeas corpus.
Pedido de prisão preventiva após habeas corpus do STJ
A prisão preventiva dos MCs Ryan SP, Poze do Rodo e de Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei, voltou a ser solicitada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (23), após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus que autorizou a soltura dos investigados. A decisão do STJ, tomada pelo ministro Messod Azulay Neto, foi motivada pela constatação de ilegalidade no prazo de prisão temporária, inicialmente fixado em 30 dias, quando o próprio pedido da PF limitava-se a cinco dias. A PF argumenta que a existência de múltiplos procedimentos correlatos e a persistência na prática delitiva justificam a necessidade da prisão preventiva.
Operação Narco Fluxo e a investigação das fraudes financeiras
Deflagrada em 15 de abril com apoio da Polícia Militar por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a Operação Narco Fluxo mira uma associação criminosa que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo bloqueios judiciais, mas com projeções que podem chegar a R$ 260 bilhões. A investigação aponta que o grupo atuava na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, exploração de jogos ilegais como apostas e rifas digitais. Dados obtidos de um backup em nuvem, pertencente ao contador do grupo, Rodrigo Morgado, foram fundamentais para a desarticulação da organização.
Estratégias de lavagem de dinheiro e uso de influenciadores
O esquema criminoso utilizava o chamado “escudo de conformidade”, no qual artistas e influenciadores digitais com grande alcance nas redes sociais eram utilizados para legitimar a origem dos recursos. As movimentações financeiras eram misturadas com receitas de shows, publicidade e outras atividades do entretenimento, criando uma fachada para ocultar o dinheiro ilícito. As táticas de lavagem incluíam pulverização de recursos por meio da venda de ingressos e ativos digitais, uso de criptoativos e múltiplas transferências para dificultar o rastreamento, além do aluguel de CPFs de terceiros para esconder os verdadeiros beneficiários.
Itens apreendidos e repercussões da operação
Durante as diligências, as autoridades apreenderam 55 veículos de luxo avaliados em aproximadamente R$ 20 milhões, além de valores em espécie, joias, armas e dispositivos eletrônicos. O saldo de criptomoedas também foi confiscado e liquidado. A ação revelou uma ligação estrutural do grupo com a facção criminosa PCC, com o operador financeiro Frank Magrini sendo um importante elo entre os envolvidos, tendo inclusive financiado o início da carreira de MC Ryan em 2014. A operação contou com 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em nove estados e no Distrito Federal.
Reações das defesas e próximos passos judiciais
As defesas dos investigados comemoraram a decisão do STJ, argumentando que a liminar restabeleceu os limites legais para a prisão temporária e corrigiu excessos cometidos pela autoridade policial. O escritório Cassimiro & Galhardo Advogados, que representa MC Ryan, ressaltou que a revogação da prisão é consequência direta da decisão judicial. Já a defesa de Raphael Sousa Oliveira destacou a ilegalidade da fixação da prisão por 30 dias, reforçando que a medida deve respeitar o prazo de cinco dias previsto em lei. O processo ainda aguarda análise pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que até o momento não foi oficialmente informado. A investigação permanece em andamento, com a Polícia Federal adotando medidas para garantir o andamento das apurações e responsabilização dos envolvidos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Logo CNN Nacional