Setores econômicos argumentam que redução pode prejudicar produtividade e elevar custos empresariais
Empresários defendem negociações coletivas e alertam para impactos negativos da redução da jornada 6×1 na produtividade e custos.
Empresários manifestam oposição ao fim da jornada 6×1 na Câmara dos Deputados
A jornada 6×1 esteve no centro das discussões na comissão da Câmara dos Deputados no dia 18 de maio de 2026, quando representantes de setores empresariais se posicionaram firmemente contra o fim desse modelo de escala de trabalho. O debate focou na preservação da produtividade e na contenção dos custos, aspectos considerados cruciais para a sustentabilidade dos negócios no Brasil.
Alexandre de Souza Furlan, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que a jornada possui particularidades específicas conforme o setor econômico, o que dificulta uma padronização sem considerar essas diferenças. Segundo ele, a melhor alternativa seria que a redução das 4 horas semanais fosse negociada por meio de convenções coletivas, garantindo que o processo respeite a dinâmica de cada segmento.
Impactos econômicos e desafios da redução da jornada 6×1
A principal preocupação dos empresários reside no potencial impacto negativo da redução da jornada 6×1 sobre a produtividade. Além disso, o aumento dos custos operacionais pode ocasionar a necessidade de contratar mais trabalhadores, o que, por sua vez, eleva as despesas e pode refletir em preços mais altos ao consumidor.
Durante a sessão, os presidentes das federações e confederações classificaram a proposta como um “engessamento” das atividades empresariais, ressaltando a necessidade de que as negociações coletivas continuem sendo o espaço privilegiado para ajustar as regras de trabalho conforme a realidade de cada setor.
A importância da negociação coletiva para a jornada de trabalho
Luciana Diniz Rodrigues, advogada da Diretoria Jurídica e Sindical da Confederação Nacional do Comércio (CNC), afirmou que a média da jornada de trabalho no Brasil já está abaixo das 40 horas semanais previstas na Constituição, resultado das negociações coletivas existentes entre empregadores e trabalhadores. Para ela, é fundamental fortalecer essas negociações para que as adaptações nas escalas de trabalho sejam feitas de forma equilibrada e sem prejuízos econômicos.
A advogada ressaltou ainda que a interferência estatal direta na definição dos horários e escalas pode comprometer o amadurecimento das relações sindicais e empresariais, pedindo que o processo de mudança seja conduzido com segurança e atenção especial às pequenas e médias empresas.
Demandas por transição e compensações na alteração da jornada
Mesmo manifestando oposição ao fim da jornada 6×1, os representantes do setor empresarial reconheceram a importância de uma transição gradual para que as empresas possam se adaptar às novas condições caso a redução seja aprovada. Além disso, solicitaram que seja estudada a possibilidade de compensações para minimizar os impactos financeiros decorrentes da diminuição da jornada.
Karina Negreli, assessora jurídica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), reforçou que o Estado não deve impor escalas e jornadas uniformes para todos os setores, defendendo um debate aprofundado e setorial.
Autonomia sindical e empresarial como eixo das negociações futuras
Os empresários enfatizaram que manter a autonomia nas relações entre empresas e sindicatos é crucial para que as negociações coletivas continuem permitindo ajustes pontuais e adequados às especificidades regionais e de cada atividade econômica. Essa autonomia é vista como um mecanismo capaz de garantir a flexibilidade necessária para preservar a competitividade e a saúde financeira das empresas brasileiras.
A discussão sobre o fim da jornada 6×1 permanece como um tema sensível e complexo, com fortes implicações para o mercado de trabalho e para a economia nacional. A comissão da Câmara dos Deputados continuará a debater as propostas buscando equilibrar os interesses dos trabalhadores e das empresas, com atenção especial para a produtividade, custos e a manutenção do diálogo coletivo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Bruno Spada/Câmara dos Deputados