Crédito e endividamento mantêm ciclo de retroalimentação no Brasil

alto e juros expressivos retroalimentam a dívida no Brasil e travam consumo • Ilustração gerada por IA

Especialistas destacam como o alto custo do crédito e a inadimplência reforçam o endividamento das famílias brasileiras

Alto custo do crédito e inadimplência criam ciclo de retroalimentação do endividamento nas famílias brasileiras, aponta análise da FGV.

O ciclo de retroalimentação do endividamento no Brasil em 2025

O ciclo de retroalimentação do endividamento no Brasil se intensificou ao longo de 2025, mesmo com níveis historicamente baixos de desemprego e aumento da renda familiar. Dados recentes indicam que 80,4% das famílias possuem algum tipo de dívida, e aproximadamente 27,5 milhões de brasileiros estão com o nome negativado devido à inadimplência. Economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) destacam que a combinação do alto custo do crédito e da inadimplência cria um efeito cascata, aprofundando a crise financeira doméstica.

Impacto das taxas de juros elevadas no endividamento das famílias

A taxa básica de juros no Brasil alcançou 14,75% em 2025, com juros reais de 9,51%, uma das mais altas globalmente. Esses índices tornam o custo do crédito extremamente oneroso para as famílias, especialmente no crédito bancário tradicional e no crédito rotativo do cartão, cuja taxa anual atingiu 435,9% em fevereiro de 2026, segundo dados do Banco Central. Essa situação dificulta o pagamento das dívidas e aumenta a inadimplência, que já atinge 64% no crédito rotativo, consumindo mais da metade do orçamento familiar e elevando os juros pagos.

Desigualdade no acesso ao crédito e efeitos na saúde financeira familiar

Enquanto o crédito agregado cresce impulsionado pelo mercado de títulos e financiamento do setor público, as famílias brasileiras permanecem dependentes do crédito bancário tradicional, que apresenta taxas cerca de 62% ao ano. Essa desigualdade no acesso ao crédito evidencia uma estrutura financeira que favorece grandes empresas e o setor público em detrimento das famílias, gerando um cenário de vulnerabilidade econômica, onde o superendividamento compromete o consumo e a estabilidade financeira doméstica.

Fatores estruturais que elevam o custo do crédito no Brasil

Além da taxa Selic elevada, o custo final do crédito reflete vários elementos estruturais, como custos de captação bancária, inadimplência, despesas administrativas, tributos e margens financeiras das instituições. A inadimplência age como um fator central, pois seu aumento eleva o risco das operações financeiras, pressionando para cima as taxas de juros, configurando a retroalimentação do endividamento e dificultando a construção de trajetórias financeiras sustentáveis para as famílias brasileiras.

Propostas de políticas públicas para mitigar o ciclo do endividamento

Diante desse cenário, especialistas da FGV Ibre propõem uma agenda de políticas públicas em duas frentes principais: redução do custo do crédito e melhoria da qualidade do endividamento, por meio do incentivo à migração para linhas de crédito com juros mais baixos e fortalecimento de mecanismos de prevenção ao superendividamento; e o estabelecimento de trajetórias fiscais críveis com controle efetivo da inflação, que pressiona as taxas de juros. A persistência da inflação acima das metas reforça a necessidade de tais medidas para romper o ciclo de retroalimentação e equilibrar o sistema de crédito no país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: alto e juros expressivos retroalimentam a dívida no Brasil e travam consumo • Ilustração gerada por IA

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