Ex-prefeito Alcides Bernal mata servidor após disputa por imóvel em Campo Grande

Foto: Giuliano Lopes/ALEMS

Ex-prefeito Alcides Bernal mata servidor estadual a tiros após disputa por imóvel em Campo Grande

Crime ocorreu durante tentativa de posse de casa arrematada em leilão; vítima não resistiu aos ferimentos e ex-prefeito se entregou à polícia após fugir do local.

Crime ocorreu durante disputa por imóvel

O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal matou a tiros o fiscal tributário do Estado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde desta terça-feira (24), em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados. O imóvel, onde Bernal morava, havia sido arrematado pela vítima em leilão.

De acordo com as informações apuradas, Mazzini foi até o local acompanhado de um chaveiro com o objetivo de tomar posse da casa, quando acabou sendo surpreendido e atingido por disparos de arma de fogo ainda na varanda da residência.

Tentativa de socorro e morte da vítima

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e realizaram manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas o servidor público não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Segundo os socorristas, os disparos atingiram a região das costelas e das costas, sendo identificados ao menos dois tiros.

Familiares da vítima estiveram no local e acompanharam o trabalho da perícia, enquanto a área foi isolada pelas autoridades policiais.

Fuga e entrega à polícia

Após o crime, testemunhas relataram que Alcides Bernal fugiu sem prestar socorro. Pouco tempo depois, ele se apresentou espontaneamente à polícia na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro.

O chaveiro que acompanhava a vítima foi levado para prestar depoimento no Centro Integrado de Polícia Especializada (Cepol). Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e perícia técnica também atuaram na ocorrência.

Disputa judicial e leilão do imóvel

O imóvel onde ocorreu o crime possui cerca de 1.440 metros quadrados de terreno e 678 metros de área construída, avaliado em aproximadamente R$ 3,7 milhões. A casa foi levada a leilão em 2025 devido a dívidas, incluindo pendências de IPTU que somam cerca de R$ 344 mil.

Roberto Mazzini havia arrematado o imóvel e buscava formalizar a posse. No entanto, Bernal não aceitava a perda da propriedade, o que teria motivado o confronto que resultou no homicídio.

Especialistas apontam que, após a arrematação de um imóvel, o novo proprietário pode buscar acordo para desocupação amigável ou recorrer à Justiça para obter ordem de despejo, caso não haja consenso.

Histórico judicial e financeiro de Bernal

O ex-prefeito já enfrentava disputas judiciais relacionadas a dívidas. Em 2025, a Justiça determinou prazo para pagamento de pensão alimentícia superior a R$ 112 mil, referente a valores não quitados entre 2013 e 2016. A decisão previa, inclusive, possibilidade de penhora de bens.

Além disso, a origem do imóvel já havia sido alvo de investigação por suspeita de enriquecimento ilícito em processo movido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A ação foi encerrada em 2023 sem condenação, após a Justiça entender que não havia provas suficientes de irregularidades.

Trajetória política do ex-prefeito

Alcides Bernal ganhou notoriedade como radialista antes de ingressar na política. Foi vereador por dois mandatos e eleito deputado estadual em 2010. Em 2012, venceu as eleições para prefeito de Campo Grande no segundo turno.

Sua gestão foi marcada por conflitos políticos e terminou com a cassação do mandato pela Câmara Municipal, sob acusação de infrações político-administrativas. Bernal chegou a retornar ao cargo por decisões judiciais, mas não conseguiu se reeleger em 2016.

Investigação em andamento

O caso segue sob investigação das autoridades policiais, que devem apurar as circunstâncias do crime, incluindo a motivação exata e a dinâmica dos fatos. A morte de um servidor público em contexto de disputa patrimonial reacende o debate sobre conflitos envolvendo imóveis adquiridos em leilão e sua execução prática.

Fonte: Campo Grande News, Midiamax e Primeira Página

Imagem: Renan Kubota / Reprodução

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