Serasa revela expansão da dívida e mudança no perfil dos inadimplentes, com mulheres superando homens
Inadimplência no Brasil avança 38,1% em 10 anos, atingindo quase metade da população adulta, mostra Serasa.
panorama atual da inadimplência no Brasil
A inadimplência no Brasil apresenta um crescimento alarmante, registrando um salto de 38,1% nos últimos 10 anos, segundo dados do Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 Anos, divulgado pela Serasa em 24 de fevereiro de 2026. Atualmente, quase metade da população adulta brasileira, 49,9%, possui restrição de crédito, um marco preocupante que reflete mudanças econômicas e sociais significativas. Na condução desta análise, a Serasa atua como a principal fonte de dados, proporcionando uma visão detalhada sobre o perfil dos inadimplentes e o contexto financeiro atual.
aumento expressivo no número e volume de dívidas
O número de brasileiros com nome negativado saltou de 59 milhões em 2016 para 81,7 milhões em 2026, um avanço expressivo que supera o crescimento populacional. Paralelamente, o montante total de dívidas ativas aumentou 54,9%, de R$ 348 bilhões para R$ 539 bilhões, já corrigidos pela inflação do período. Esse cenário revela não apenas um aumento na quantidade de pessoas endividadas, mas também uma elevação na magnitude das dívidas, indicando que o endividamento médio por pessoa cresceu em 12,2%, passando de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13.
mudança significativa no perfil dos inadimplentes
Ao longo da última década, o perfil dos devedores brasileiros passou por uma transformação substancial. Enquanto em 2016 os homens predominavam com 50,24% dos negativados, as mulheres passaram a liderar o ranking em 2026, representando 50,51% do total de inadimplentes, equivalente a 40,4 milhões de mulheres com nome restrito. Essa inversão de gênero destaca uma mudança social e econômica, possivelmente relacionada às dinâmicas de renda, emprego e consumo.
concentração da inadimplência entre baixa renda e reincidência
O estudo da Serasa evidencia que 48% dos inadimplentes possuem renda de até um salário mínimo, evidenciando a vulnerabilidade econômica deste segmento e a dificuldade em manter a saúde financeira. Além disso, a taxa de reincidência é alta, com 42% dos inadimplentes atuais já tendo enfrentado restrições há 10 anos, o que aponta para um ciclo persistente de endividamento crônico. Esta realidade sugere dificuldades estruturais para a recuperação financeira da população mais afetada.
impactos econômicos e sociais da inadimplência crescente
O aumento da inadimplência no Brasil tem repercussões amplas sobre a economia e a sociedade. Para o setor financeiro, representa riscos de crédito e necessidade de ajustes nas políticas de concessão. Para os consumidores, implica restrições no acesso a produtos e serviços, afetando sua qualidade de vida e capacidade de consumo. Socialmente, a concentração da dívida em grupos vulneráveis pode aprofundar desigualdades e aumentar a exclusão financeira, exigindo políticas públicas e iniciativas para promover educação financeira e inclusão.
perspectivas e desafios para o enfrentamento da inadimplência
Diante desse cenário, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar o estímulo ao consumo com a sustentabilidade financeira das famílias. Estratégias para reduzir a inadimplência devem considerar o fortalecimento da proteção ao consumidor, o incentivo à renegociação e o apoio a programas de educação financeira, especialmente para populações de baixa renda. A mudança no perfil dos inadimplentes, com a crescente participação feminina, também requer abordagens específicas que atendam às necessidades desse grupo.
O panorama apresentado pela Serasa em 2026 serve como alerta para a necessidade de políticas integradas e ações coordenadas entre governo, setor financeiro e sociedade para enfrentar o aumento da inadimplência e suas consequências no Brasil.
Fonte: www.infomoney.com.br