Expectativas dos empresários indicam retração no número de empregados e novos empreendimentos nos próximos meses
Pesquisa da CNI revela que indústria da construção prevê queda no emprego e nos novos empreendimentos nos próximos seis meses.
Expectativas da indústria da construção para os próximos seis meses
A indústria da construção projeta uma redução significativa no número de empregados e no lançamento de novos empreendimentos e serviços nos próximos seis meses. A pesquisa Sondagem Indústria da Construção, divulgada em 23 de fevereiro de 2026 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aponta que todos os principais índices relacionados às expectativas do setor recuaram. O índice de expectativa de emprego caiu 2,3 pontos, alcançando 49,5 pontos, e o de novos empreendimentos registrou queda de 1,5 ponto, ficando em 49,7 pontos. Valores abaixo de 50 pontos indicam tendência de retração, sinalizando que os empresários já não esperam crescimento nesse período.
Indicadores econômicos e desafios enfrentados pelo setor
O índice de expectativa do nível de atividade também apresentou queda de 0,8 ponto, atingindo 51,3 pontos, indicando uma perspectiva de crescimento mais moderado ou estagnação na produção da indústria da construção. Além disso, a expectativa de compras de insumos e matérias-primas ficou quase estável, em 50,3 pontos, mostrando cautela nas aquisições. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, destaca que mesmo com o lançamento de programas importantes, como o novo modelo de crédito imobiliário e financiamentos para reformas de residências populares, o setor ainda enfrenta pressão nos custos devido a juros elevados e incertezas no cenário externo.
Queda na intenção de investimentos e confiança empresarial
A pesquisa revelou que o índice que mede a intenção de investimento da indústria da construção recuou pelo segundo mês consecutivo, passando de 42,9 para 42,1 pontos. Essa tendência reflete o aumento do pessimismo entre os empresários, que se mostram receosos quanto à realização de novos investimentos. Paralelamente, o índice de confiança da indústria caiu 2,1 pontos, situando-se em 46,5 pontos – um nível que indica baixa confiança nas condições atuais das empresas e da economia, bem como nas perspectivas futuras.
Desempenho recente e utilização da capacidade operacional
Embora as expectativas estejam negativas, o levantamento aponta uma leve melhora em alguns indicadores em comparação a fevereiro do ano anterior. O índice de evolução do nível de atividade cresceu 2,6 pontos, chegando a 45,7 pontos, e o índice de número de empregados teve alta de 1,7 ponto, para 47 pontos, interrompendo uma sequência de quedas. A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) também subiu um ponto percentual, alcançando 65%, porém ainda permanece abaixo dos níveis registrados em 2024 e 2025.
Impactos potenciais para o mercado e perspectivas futuras
A retração projetada na indústria da construção civil pode ter efeitos significativos no mercado de trabalho e no setor imobiliário, reduzindo oportunidades de emprego e freando o lançamento de novos projetos. Os desafios econômicos, como juros elevados e incertezas globais, aliados à hesitação dos empresários em investir, podem limitar a retomada do setor neste primeiro semestre de 2026. A continuidade do acompanhamento desses indicadores será fundamental para avaliar a necessidade de políticas públicas e medidas de estímulo que possam mitigar os impactos e fomentar o crescimento sustentável da indústria da construção.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Arquivo)