Ex-banqueiro Daniel Vorcaro assina acordo de confidencialidade e avança nas negociações para possível delação premiada em investigação sobre fraudes no Banco Master
Transferido para a sede da Polícia Federal em Brasília, Vorcaro iniciou tratativas formais com autoridades e pode prestar depoimentos ainda nesta semana.
Assinatura de acordo marca início formal de negociação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro deu um passo decisivo rumo a uma possível delação premiada ao assinar um acordo de confidencialidade com a defesa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. O documento representa a primeira etapa formal para a negociação de um acordo de colaboração no âmbito das investigações que apuram fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
A assinatura ocorreu após a transferência de Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A mudança de unidade teve como objetivo facilitar as tratativas com autoridades e ampliar o acesso do investigado à sua defesa.
Transferência amplia acesso à defesa e condições de negociação
Na nova unidade, Vorcaro passou a ter maior flexibilidade para se reunir com seus advogados, diferentemente das condições mais rígidas da penitenciária federal, onde o contato era limitado e realizado sob regras mais restritivas. A defesa solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para conversas sem gravação, pedido que foi atendido.
Apesar da mudança, Vorcaro segue preso preventivamente enquanto avançam as investigações e as negociações de colaboração com as autoridades.
Etapas da delação premiada e garantias do acordo
O acordo de confidencialidade garante que, caso a delação premiada não seja concretizada, nenhuma informação fornecida por Vorcaro durante as negociações poderá ser utilizada contra ele. A partir desta fase, têm início reuniões internas entre o investigado e sua defesa para organização dos fatos e possíveis provas.
Quando a equipe jurídica considerar que há elementos suficientes, as informações passam a ser apresentadas às autoridades. Nesse momento, investigadores realizam a checagem do conteúdo, avaliando a veracidade, relevância e consistência das declarações e documentos entregues. Somente após essa validação é que o processo avança para a fase de depoimentos formais.
Intensificação de reuniões e возможidade de depoimentos
Desde a assinatura do acordo, Vorcaro recebeu seu advogado em ao menos cinco encontros na sede da Polícia Federal. As reuniões ocorreram entre os dias 20 e 22 de março, incluindo visitas prolongadas durante o fim de semana, com coleta de informações e anotações para a construção da possível colaboração.
Segundo apuração, há expectativa de que o ex-banqueiro possa prestar depoimentos e apresentar documentos relevantes ainda nesta semana, o que marcaria o início efetivo da colaboração com a Polícia Federal.
Contexto da investigação e desdobramentos recentes
Vorcaro foi preso inicialmente em novembro de 2025, chegou a ser solto e voltou a ser detido em março de 2026 durante a operação “Compliance Zero”, que investiga fraudes financeiras e possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, além de suspeitas de ligação com agentes públicos e servidores do Banco Central.
Recentemente, o ex-banqueiro também promoveu mudanças em sua equipe de defesa, passando a ser representado pelo advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, especialista em negociações de delação premiada. O advogado já se reuniu com o ministro André Mendonça para tratar do caso.
De acordo com informações de bastidores, Vorcaro não pretende envolver ministros do Supremo Tribunal Federal em sua eventual delação, a menos que considere inevitável no curso das investigações.
Fonte: Banda B, CNN Brasil e Folha de S.Paulo
Fonte: Agência Brasil / Polícia Federal