FMI alerta para dificuldades financeiras em emergentes por conflito no Oriente Médio

REUTERS/Benoit Tessier

Conflito entre EUA, Israel e Irã pode agravar cenário econômico para países emergentes, segundo diretora do FMI

FMI destaca que aperto nas condições financeiras globais devido à guerra no Oriente Médio pode complicar economia de países emergentes, incluindo o Brasil.

Contexto das dificuldades financeiras em emergentes devido ao conflito no Oriente Médio

O FMI, representado por Julie Kozack, destacou que as dificuldades financeiras em emergentes estão sendo exacerbadas pelo conflito em curso no Oriente Médio, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Em 19 de fevereiro de 2026, Kozack afirmou que as condições financeiras globais mais apertadas têm o potencial de criar um ambiente mais desafiador não apenas para países emergentes como o Brasil, mas também para algumas economias avançadas.

A volatilidade nos mercados globais aumentou significativamente após o início do conflito, refletindo-se em quedas nos preços das ações e elevação dos rendimentos dos títulos governamentais em diversas regiões, incluindo EUA, Reino Unido, Europa e vários países emergentes. Esses fatores indicam uma maior cautela dos investidores e eleva o custo de financiamento para esses países.

Impactos previstos para o Brasil e outros países emergentes

Para o Brasil, que é parte do grupo de economias emergentes monitoradas pelo FMI, o aperto nas condições financeiras pode traduzir-se em maior dificuldade para acessar capital e sustentar investimentos públicos e privados. A alta nos rendimentos dos títulos implica em custos mais elevados para o governo e empresas, o que pode comprometer o crescimento econômico e agravar desafios fiscais.

Além disso, a incerteza sobre a duração e a intensidade do conflito no Oriente Médio cria um cenário de instabilidade que dificulta planejamento econômico e aumenta os riscos de choques financeiros adicionais. A conjuntura exige, portanto, monitoramento constante e possíveis ajustes de política econômica para mitigar efeitos adversos.

Caso da Argentina como exemplo de resiliência em meio ao choque global

A Argentina é apontada pela diretora do FMI como um exemplo de resiliência diante do cenário global adverso. Diferentemente de crises anteriores, o país enfrenta o choque atual numa posição de exportador líquido de energia, com superávit em petróleo e gás de aproximadamente 8 bilhões de dólares em 2025.

Esse fato confere ao país um fator de mitigação importante frente às pressões externas, permitindo avanços em reformas e negociações com o FMI. Espera-se que esses progressos consolidem ganhos de estabilização no médio prazo, contribuindo para uma recuperação mais sustentável da economia argentina.

Estratégias do FMI para lidar com o ambiente mais difícil nas economias emergentes

O FMI reforça a importância de um engajamento próximo e contínuo com as autoridades dos países emergentes para apoiar políticas que promovam a estabilidade econômica e financeira. A instituição monitora atentamente os desdobramentos do conflito e seus impactos, recomendando ajustes prudentes nas políticas monetárias, fiscais e estruturais.

Além disso, a coordenação internacional e o diálogo entre os países são essenciais para enfrentar os riscos globais ampliados, minimizando efeitos secundários negativos e preservando o crescimento econômico.

Perspectivas e desafios futuros para economias emergentes no cenário global

O aperto das condições financeiras globais motiva uma reflexão sobre a vulnerabilidade das economias emergentes a choques externos, especialmente em períodos de conflito e alta volatilidade nos mercados.

A capacidade dessas economias de adaptar-se e implementar reformas será determinante para superar as dificuldades atuais. O caso argentino destaca a relevância de diversificação econômica e da segurança energética para fortalecer a resiliência.

Para o Brasil e outros emergentes, o desafio permanece significativo, exigindo políticas eficazes que contemplem estabilidade macroeconômica, controle fiscal e promoção do investimento para garantir crescimento sustentável em um cenário mundial mais complexo e incerto.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Benoit Tessier

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