Conselheiros e Urbia apresentam visões opostas sobre projeto de restauração e uso comercial da área
Audiência pública em São Paulo expôs divergências entre Urbia e conselheiros sobre o futuro da Serraria no Parque Ibirapuera.
Urbia e conselheiros divergem sobre futuro da Serraria no Parque Ibirapuera
O futuro da Serraria no Parque Ibirapuera foi discutido intensamente na audiência pública realizada em 19/3 na Câmara de São Paulo, reunindo vereadores, conselheiros gestores, representantes da sociedade civil e da concessionária Urbia. Samuel Lloyd, diretor da Urbia, destacou que o projeto de restauração prioriza serviços gratuitos e não corresponde a um shopping center, como afirmado por opositores. O debate evidenciou visões opostas sobre o uso comercial do espaço localizado próximo ao Portão 7 do parque, na Avenida República do Líbano.
Contexto histórico e características do projeto da Urbia
O projeto apresentado pela Urbia para a Serraria prevê restauro que inclui a substituição de alvenaria por vidro, retirada de quiosques de alimentação e possibilidade de reversibilidade para o estado original, apontou Samuel Lloyd. Segundo ele, a proposta não promove mutilação na estrutura histórica, permitindo que o espaço seja mais acessível e agradável, com a instalação de novos banheiros e melhorias visuais. A concessionária também ressaltou que a exploração comercial visa valorizar uma área atualmente subutilizada.
Críticas dos conselheiros e riscos ambientais apontados
Por outro lado, conselheiros gestores, como a arquiteta Maria Claudia Oliveira, manifestaram preocupação de que a Serraria se transforme em um espaço comercializado com controle de acesso e ar condicionado, afastando o público geral. A arquiteta Cássia Mariano alertou para o comprometimento ambiental e para a descaracterização do projeto original de Burle Marx, destacando que a inserção de vidro e laje impactaria irreversivelmente a permeabilidade visual e física do parque. Para ela, o espaço é um local de tranquilidade e regeneração que deve ser preservado integralmente.
Papel do Conpresp e próximos passos decisórios
A liberação das mudanças propostas para a Serraria está condicionada à aprovação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), que não participou da audiência, mas será informado sobre as discussões. A reunião do Conpresp para avaliação do projeto está marcada para 23/3. Enquanto isso, a Câmara de São Paulo promove o debate público e incentiva a participação da sociedade para que o destino do espaço seja definido com transparência e respeito ao patrimônio histórico-cultural.
Relevância do debate para a preservação do Ibirapuera e a cidade
O embate entre Urbia e conselheiros reflete a complexidade de conciliar o uso público e a preservação do Parque Ibirapuera, um dos principais espaços verdes da capital paulista. Representantes enfatizam a necessidade de manter o parque como área de contemplação e lazer, resistindo à pressão por comercialização excessiva, que poderia prejudicar a experiência dos frequentadores. A discussão sobre a Serraria é emblemática para definir os rumos da gestão de espaços públicos preservados em grandes metrópoles, equilibrando interesses econômicos e ambientais.
Fonte: www.metropoles.com