Preço do diesel sobe quase 20% nas bombas em junho de 2026

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Aumento acentuado impacta transporte de cargas e sinaliza desafios na oferta e tributação do combustível

Preço do diesel nas bombas subiu quase 20% em junho de 2026, pressionado por fatores internacionais e desafios na oferta nacional.

Contexto do aumento do preço do diesel em junho de 2026

O preço do diesel S10 nas bombas brasileiras teve uma alta significativa de 19,71% entre os dias 1º e 16 de junho de 2026, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), baseado em 192 mil notas fiscais eletrônicas emitidas pelas distribuidoras no país. Este aumento acelerado, especialmente na segunda semana do mês, supera o reajuste oficial anunciado pela Petrobras e manifesta uma conjuntura complexa que envolve fatores internacionais e estruturais do mercado nacional.

Murilo Barco, diretor da consultoria Valêncio Pricing, ressalta que o preço do diesel é influenciado mais por fatores macroeconômicos do que por tributação direta, destacando o papel do custo do barril de petróleo, taxas de câmbio e logística no Brasil. A escalada recente nas cotações do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pressiona diretamente os custos do combustível, que já vinha apresentando uma trajetória de valorização neste ano.

Impacto da tributação e defasagem no mercado nacional

Ainda que o governo federal tenha adotado medidas para desonerar tributos federais como PIS e Cofins sobre o diesel, especialistas apontam que essas iniciativas não têm sido suficientes para conter os preços na bomba. Parte significativa do diesel consumido no Brasil, cerca de 30%, é importado, e a defasagem entre o preço doméstico e a paridade internacional do combustível vem aumentando, chegando a 57% abaixo do valor internacional segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Essa defasagem desestimula importadores a trazerem o produto, sinalizando possíveis restrições futuras na oferta. Além disso, alterações na cobrança do ICMS, principal tributo estadual, que passou a ter uma base de cálculo fixa em 2022, contribuem para estabilizar as receitas estaduais, porém diminuem a efetividade de desonerações em momentos de alta internacional do petróleo.

Sérgio Araujo, presidente executivo da Abicom, destaca que mesmo com a redução de tributos federais e propostas de isenção do ICMS para diesel importado, o ajuste dos preços da Petrobras à paridade internacional é fundamental para equilibrar o mercado.

Restrições na oferta e desafios para o abastecimento

Além das pressões de preços, há sinais de restrições na oferta do diesel no mercado brasileiro. Clientes que realizam compras à vista, sem contratos fixos, enfrentam dificuldades para garantir entregas, com relatos de volumes menores sendo entregues do que os contratados. Eduardo Melo, da consultoria Raion, comenta que a situação de abastecimento tem se deteriorado progressivamente, agravando as condições para revendedores e setores dependentes do combustível.

Refinarias privadas, como a de Mataripe na Bahia, controlada pela Acelen, já aplicaram reajustes, refletindo o cenário global e interno do combustível. O alinhamento dos preços domésticos à paridade internacional, segundo especialistas, seria uma medida para incentivar o retorno dos importadores ao mercado e aliviar as restrições.

Consequências para o transporte e economia brasileira

O diesel é o combustível mais utilizado no transporte de cargas no Brasil, e a alta expressiva no preço afeta diretamente os custos logísticos, repassados para diversos setores produtivos e consumidores finais. O aumento dos custos pode gerar inflação setorial, impactando o preço de alimentos, combustíveis e outros bens que dependem do transporte rodoviário.

A combinação de fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, e internos, como a estrutura tributária e oferta do mercado, cria um ambiente de incertezas para o setor de combustíveis e economia em geral. Para enfrentar esse cenário, agentes do setor recomendam políticas que promovam maior alinhamento de preços e estímulo à concorrência nas importações, bem como análises contínuas das políticas tributárias estaduais e federais.

Panorama dos preços de outros combustíveis

Além do diesel S10, outras variações de combustíveis também apresentaram alterações em junho de 2026, conforme dados do IBPT:

Diesel aditivado: alta de 17,61%
Gasolina comum: aumento de 5,24%
Gasolina aditivada: crescimento de 2,88%
Etanol: queda de 0,66%

Estes movimentos refletem, em parte, a mesma conjuntura global que afeta o diesel, mas com menor intensidade, evidenciando uma pressão concentrada principalmente sobre o combustível utilizado no transporte de cargas.

Este cenário reforça a importância do monitoramento constante do mercado de combustíveis e da adoção de políticas coordenadas para mitigar impactos sociais e econômicos decorrentes das variações internacionais e estruturais do setor.

Fonte: www.infomoney.com.br

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