Confederação Nacional da Indústria reconhece redução da taxa, mas aponta necessidade de medidas mais contundentes para reação econômica
Redução da Selic é vista pela CNI como medida correta, porém insuficiente para reverter os danos que a economia enfrenta atualmente.
Contexto do corte da Selic e avaliação da CNI
O corte da Selic em 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ocorrido em 18 de fevereiro de 2026, é avaliado pela Confederação Nacional da Indústria como um movimento correto, mas que não atende à urgência dos desafios econômicos atuais. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou logo no início da análise que apesar da inflação apresentar desaceleração significativa e as expectativas inflacionárias se encontrarem dentro da meta estipulada, a magnitude do corte foi insuficiente. Alban argumenta que a cautela do Banco Central permanece excessiva, prejudicando o potencial de recuperação econômica.
Impactos limitados do corte na atividade econômica e investimento
A CNI evidencia que a redução atual da Selic não tem sido capaz de frear a retração da atividade econômica nacional. Diferentes setores da indústria sofrem com o endividamento elevado e o crédito restrito, que encarecem e limitam a capacidade de investimento das empresas. A desaceleração econômica, segundo a entidade, permanece um obstáculo forte para a retomada da produtividade e geração de empregos. Além disso, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) complementa essa visão, classificando o corte da taxa básica como insuficiente para promover um ambiente competitivo para a indústria, especialmente após quase dois anos sem alterações na política monetária.
Demandas por cortes maiores e flexibilização da política monetária
José Guimarães, representante do setor, reforça que as taxas de juros ainda estão em patamares elevados, travando investimentos e dificultando o acesso ao crédito para empresas e famílias. A recomendação da CNI é que o Banco Central adote cortes mais expressivos na Selic já na próxima reunião do Copom, programada para o final de abril. Essa flexibilização mais ampla é vista como fundamental para criar condições que estimulem investimentos, reduzam o endividamento e recolocam a economia em trajetória sustentável de crescimento. A flexibilização dos juros é apontada como um passo imprescindível para a recuperação da produtividade nacional e melhoria do bem-estar social.
Perspectivas e desafios para a economia brasileira
O cenário apresentado aponta para uma política monetária que precisa se ajustar com maior rapidez às condições econômicas reais. A desaceleração da inflação abre espaço para políticas mais expansionistas, mas o Banco Central ainda mantém uma postura conservadora. Essa estratégia pode prolongar os sinais de fraqueza econômica, impactando negativamente o setor produtivo e o mercado de trabalho. As autoridades e instituições econômicas enfrentam o desafio de equilibrar a contenção inflacionária com a necessidade de estimular o crescimento e o investimento, buscando um ponto de convergência que não prejudique a recuperação econômica.
Conclusão
Embora o corte da Selic seja um indicativo de flexibilização da política monetária, a análise da CNI deixa claro que a redução atual é insuficiente para reverter os prejuízos acumulados na economia brasileira. A continuidade da política monetária restritiva pode dificultar a retomada do crescimento, da competitividade industrial e do crédito acessível. A pressão para novos cortes mais significativos na taxa básica de juros reflete a urgência em promover um ambiente econômico mais favorável para investimentos, produtividade e bem-estar social.
Fonte: www.infomoney.com.br