Tesouro nacional suspende leilões e realiza recompra recorde para conter juros

Diogo Zacarias/MF

Medida do Tesouro busca estabilizar mercado em meio a alta das taxas após crise internacional

Tesouro Nacional suspende leilões e recompra R$ 12,1 bilhões em títulos para conter alta das taxas de juros.

O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (16) a suspensão dos leilões de títulos públicos que estavam programados para esta semana, em uma ação estratégica para conter a alta das taxas de juros que vinham subindo de forma expressiva após eventos internacionais recentes.

Contexto da alta das taxas e decisão do Tesouro Nacional

A decisão do Tesouro Nacional ocorre em meio a um cenário de escalada dos juros futuros, que foram impactados pela incerteza provocada pela guerra no Irã e pelo aumento dos preços do petróleo, desencadeando temores de inflação global. Rogério Ceron, secretário do Tesouro, lidera essa atuação para estabilizar o mercado, buscando reduzir a volatilidade e ampliar a confiança dos investidores.

Cancelamento dos leilões e manutenção dos títulos vinculados à Selic

Foram cancelados os leilões dos títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) e dos prefixados previstos para os dias 18 e 19 de fevereiro, respectivamente. O leilão das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que acompanham a taxa Selic, será mantido, pois oferecem menor risco e maior liquidez para os investidores, especialmente pessoas físicas.

Recompra de títulos públicos: volume e modalidades envolvidas

O Tesouro realizou uma recompra extraordinária na manhã do dia 16, adquirindo aproximadamente 17,25 milhões de títulos, com volume financeiro aproximado de R$ 12,1 bilhões. Essa recompra inclui títulos prefixados com vencimentos em 2028, 2029, 2030, 2031 e 2032, abrangendo LTNs e NTN-F.

As taxas praticadas nos títulos recompra foram:

LTN 2028: taxa de corte de 13,58%, volume financeiro de R$ 3,98 bilhões.
LTN 2029: taxa de corte de 13,655%, volume de R$ 3,51 bilhões.
LTN 2030 (parcial): taxa de corte de 13,8172%, R$ 707,1 milhões.
LTN 2032 (parcial): taxa de corte de 14,005%, R$ 1,72 bilhão.

  • NTN-F 2031: taxa de corte de 13,97%, R$ 2,19 bilhões.

Impactos esperados para o mercado financeiro e economia

Ao realizar essa recompra significativa, o Tesouro Nacional busca influenciar a curva de juros futuros para patamares mais controlados, amenizando o custo do endividamento público e reduzindo a volatilidade no mercado de títulos. Essa ação pode contribuir para maior estabilidade financeira e maior previsibilidade para investidores e gestores econômicos.

Além disso, a medida sinaliza o compromisso do governo em monitorar e agir proativamente diante de flutuações externas que possam impactar a economia brasileira, protegendo o ambiente de investimentos e assegurando o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e dos mercados correlatos.

Considerações finais sobre a política monetária e fiscal em contexto internacional

A recomposição dos títulos públicos pelo Tesouro Nacional reflete a complexidade do cenário macroeconômico global, onde eventos geopolíticos influenciam significativamente as expectativas de inflação e juros. A coordenação entre políticas fiscal e monetária torna-se essencial para manter a credibilidade econômica e garantir a estabilidade dos mercados financeiros.

Essa medida inédita, de suspensão dos leilões e compra direta de títulos, destaca a flexibilidade e capacidade de resposta do Tesouro Nacional diante de pressões externas, buscando proteger o interesse público e a sustentabilidade das contas públicas brasileiras.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Diogo Zacarias/MF

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