Pesquisa indica expectativa de redução imediata dos juros, porém cenário para o final do ano permanece desafiador
Pesquisa com gestores indica expectativa de corte imediato de 0,5 ponto na Selic, com projeção de juros mais altos no fim de 2026.
Expectativas para o corte de 0,5 ponto na Selic na reunião de 18 de março de 2026
A pesquisa conduzida pela XP com 23 gestoras multimercados macro revela que 74% dos gestores esperam um corte de 50 pontos-base na taxa Selic na reunião do Copom do dia 18 de março de 2026. Outros 22% projetam uma redução menor, de 25 pontos-base, e 4% acreditam que a taxa será mantida no patamar atual. Essa expectativa reflete um consenso majoritário quanto à necessidade de aliviar o custo do dinheiro no curto prazo para estimular a economia.
Projeção de juros mais altos ao longo de 2026
Apesar da aposta na redução imediata, a pesquisa indica que a expectativa para o nível da Selic ao fim de 2026 subiu para 12,2%, ante 11,8% em janeiro. Esse aumento sugere que os gestores antecipam um ciclo de afrouxamento monetário mais cauteloso e possivelmente mais curto, influenciado pelos riscos externos e pela persistência de pressões inflacionárias que demandam cautela no ajuste dos juros.
Impactos das tensões geopolíticas e volatilidade do petróleo
A janela de coleta da pesquisa, majoritariamente entre 6 e 10 de março, capturou um período marcado por tensões geopolíticas intensas, como os bombardeios ao Irã e o bloqueio no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial. O preço do barril Brent subiu para mais de US$ 100, elevando a volatilidade e influenciando as expectativas de inflação e política monetária. Clara Sodré, analista da XP, destaca que esses choques externos afetam diretamente a dinâmica dos preços de commodities e energia, impactando o cenário econômico doméstico.
Confiança dos gestores nos ativos brasileiros em meio à volatilidade
Apesar do ambiente externo desafiador, os gestores demonstram confiança nos ativos domésticos. A pesquisa mostra que 92% estão comprados em real, um aumento significativo comparado a 72% em janeiro. No mercado acionário, 52% mantêm posições compradas em ações brasileiras, com 39% em posição neutra e apenas 9% vendidos. Esse movimento evidencia a percepção de assimetria positiva no Brasil, mesmo diante das incertezas globais.
Perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos e impactos globais
No cenário internacional, os gestores indicam unanimidade na expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve na próxima reunião, também em março. Essa postura reflete um compasso de espera diante de incertezas externas e potenciais choques inflacionários, especialmente relacionados ao petróleo. A cautela do Fed reforça o cenário de instabilidade que influencia decisões do Banco Central brasileiro e molda as expectativas de mercado.
Conclusão: equilíbrio entre estímulo e cautela na política monetária em 2026
A combinação entre a expectativa de corte imediato na Selic e a projeção de juros mais elevados ao longo do ano revela um panorama de complexidade para a política monetária brasileira. Os gestores reconhecem a necessidade de estimular a economia, mas diante dos riscos inflacionários e das tensões externas, adotam uma postura mais conservadora para a condução dos juros, o que pode influenciar o ambiente econômico e financeiro até o fim de 2026.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: REUTERS/Ueslei Marcelino