Exportação de cacau e chocolate brasileiro cresce 86% de 2021 a 2025

REUTERS/Ange Aboa

Avanço nas vendas no exterior é impulsionado por qualidade e acordos comerciais estratégicos

Exportação de cacau e chocolate do Brasil avança 86% entre 2021 e 2025, atingindo quase US$ 1 bilhão, com destaque para chocolate recheado.

Panorama do crescimento nas exportações de cacau e chocolate no Brasil entre 2021 e 2025

A exportação de cacau, chocolate e seus derivados tem mostrado um crescimento expressivo no Brasil, avançando 86,1% no período de 2021 a 2025, conforme dados do Estudo de Acesso a Mercado Cacau e Chocolate da ApexBrasil. Esse avanço reflete tanto uma melhoria estrutural da indústria nacional quanto o impacto de condições comerciais favoráveis em mercados estratégicos.

Impactos do aumento da qualidade e das condições comerciais nas vendas externas

Igor Gomes, coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil, destaca que o salto na qualidade do cacau brasileiro e seus produtos foi decisivo para essa evolução. A produção nacional conta com uma planta de cacau mais jovem em certas regiões, garantindo qualidade superior e maior resiliência frente a quebras de safra globais. Além disso, acordos comerciais, principalmente no âmbito do Mercosul, reduziram barreiras tarifárias, aprimorando a competitividade brasileira no exterior.

Segmentos de produto com maior crescimento e destaque financeiro

O maior avanço percentual foi registrado em chocolates e preparações alimentícias com cacau recheado, cuja exportação cresceu 340%. O cacau em pó sem adição de açúcar cresceu 254%, enquanto outras preparações com até 40% de cacau aumentaram 129%. Em termos de valor, manteiga e óleo de cacau foram os principais itens exportados, somando US$ 452,8 milhões, evidenciando a importância desses derivados na pauta comercial.

Influência das cotações globais de cacau na valorização das exportações brasileiras

O aumento significativo nos valores exportados também é influenciado pela alta global nos preços do cacau, resultado de quebras de safra internacionais e inflação do açúcar. A tonelada do cacau negociada na Bolsa de Nova York saltou de US$ 2 a 3 mil até outubro de 2023 para patamares que atingiram US$ 12,5 mil em dezembro de 2024, consolidando-se como a commodity de maior valorização naquele ano.

Desafios e oportunidades nos mercados internacionais: tarifas e acordos comerciais

Nos Estados Unidos, o mercado mais promissor para o cacau brasileiro, a tarifa para cacau e manteiga é zero, favorecendo um crescimento de 60,8% entre 2024 e 2025. Por sua vez, a União Europeia impõe tarifas mais elevadas para derivados e chocolates acabados, chegando a 13,4% e tarifas intracota de até 38%. A expectativa é que o Acordo Mercosul-União Europeia, com sua implementação gradual, reduza essas barreiras para zero em até dez anos, ampliando o potencial exportador brasileiro.

Estratégias da ApexBrasil para fortalecer o setor exportador de cacau e chocolate

Para consolidar e ampliar a presença do cacau e chocolate brasileiros no mercado internacional, a ApexBrasil desenvolveu programas como o PEIEX, que capacita exportadores para identificar e aproveitar oportunidades globais. Além disso, ações de promoção comercial, incluindo feiras e rodadas de negócios, são fundamentais para inserir empresas nacionais nas prateleiras globais, especialmente em nichos de chocolates finos e produzidos sob o conceito “bean to bar”.

Perspectivas futuras para a exportação de cacau e chocolate do Brasil

Com a combinação de melhorias na qualidade, vantagens tarifárias e estratégias de mercado, a exportação brasileira de cacau e chocolate projeta continuidade no crescimento. A participação em acordos comerciais e o foco em produtos de alta qualidade sustentam a entrada em mercados exigentes e a valorização da marca nacional. Essa trajetória representa uma oportunidade para o setor agrícola e industrial brasileiro expandir sua atuação global e agregar valor às cadeias produtivas.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Ange Aboa

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