Pressão internacional no petróleo impacta economia do Brasil sem risco de falta

Apesar da escalada de tensões no Golfo Pérsico afetar preços, especialistas garantem que o país está protegido contra desabastecimento

Especialistas destacam que a pressão internacional no petróleo eleva preços, mas Brasil mantém autossuficiência e segurança no abastecimento.

Contexto da pressão internacional no petróleo e seus impactos no Brasil

A pressão internacional no petróleo tem intensificado os preços globais, especialmente diante das tensões recentes no Golfo Pérsico envolvendo ameaças de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo. Essa situação elevou o alerta sobre possíveis consequências econômicas para o Brasil, em especial nos custos de combustíveis derivados, apesar da autossuficiência do país em petróleo cru. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), destaca essa autossuficiência e a exportação de excedentes brasileiros, o que minimiza riscos de desabastecimento no curto e médio prazos.

Importância da autossuficiência e desafios do refino no Brasil

Embora o Brasil produza em média 4 milhões de barris diários de petróleo, superando seu consumo, a dependência de importações de derivados, principalmente diesel, ainda é significativa. A produção doméstica de derivados não atende completamente a demanda nacional, o que implica vulnerabilidades frente a choques externos e flutuações globais. O coordenador da FUP ressalta a necessidade urgente de acelerar investimentos em capacidade de refino e no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis, especialmente após a venda de ativos como a BR Distribuidora e a Liquigás, que eram importantes para o abastecimento interno.

Estratégias da Petrobras para mitigar os impactos da alta do barril

Desde 2023, a Petrobras adotou a política de abrasileiramento dos preços, afastando-se da paridade de importação (PPI), o que oferece certa proteção contra oscilações internacionais. Essa estratégia tem permitido que o aumento dos preços externos tenha um impacto atenuado para os consumidores brasileiros, evitando reajustes imediatos e severos nos combustíveis. No entanto, a volatilidade internacional ainda pode influenciar os custos internos, especialmente para os derivados importados.

Perspectivas econômicas e oportunidades comerciais no cenário global

A alta no preço do barril também tem efeitos positivos indiretos, como o aumento da entrada de dólares no país e a ampliação do superávit comercial brasileiro, devido à maior receita com exportação de petróleo. Analistas, como Cloviomar Cararine do Dieese/FUP, indicam que conflitos internacionais podem modificar rotas comerciais, potencialmente abrindo espaço para o petróleo brasileiro em mercados asiáticos. No entanto, o desafio principal permanece em proteger o consumidor interno dos choques de preço enquanto se promove a transição energética e ampliação da capacidade nacional.

Ações recomendadas para a segurança energética do Brasil

Especialistas sugerem que o Brasil deve seguir investindo na autonomia energética, fortalecendo o parque de refino e diversificando a matriz energética com foco em sustentabilidade. Essas medidas são consideradas essenciais para reduzir a vulnerabilidade diante de instabilidades externas e garantir a estabilidade do abastecimento para a população e para a economia do país. A gestão estratégica dos estoques e a coordenação com organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia, também são apontadas como fundamentais para resposta rápida e eficiente a crises globais.

Fonte: www.infomoney.com.br

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