Apesar da queda nas cotações de cacau e açúcar, indústria do chocolate projeta manutenção dos preços para a Páscoa 2026
Queda no preço do cacau e açúcar em 2026 não deve refletir em redução imediata no preço do ovo de Páscoa, devido a custos e estratégias da indústria.
A dinâmica do preço do ovo de Páscoa 2026 enfrenta desafios mesmo com a queda do cacau e açúcar
O preço do ovo de Páscoa 2026 não deve sofrer redução significativa apesar da queda recente nas cotações do cacau e do açúcar, segundo análise de especialistas e representantes da indústria. A cotação do cacau, que chegou a um alto patamar de US$ 10,7 mil por tonelada em janeiro de 2025, recuou para uma média de US$ 3,6 mil em fevereiro de 2026. Já o açúcar em São Paulo está na casa dos R$ 98 por saca, o menor preço desde outubro de 2020, 30% inferior ao registrado em fevereiro de 2025.
Custos adicionais e estratégias da indústria impactam o preço final do chocolate
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) destaca que o preço ao consumidor é influenciado por múltiplas variáveis, não apenas o cacau e o açúcar. Custos com leite, variações cambiais e, principalmente, despesas logísticas relacionadas ao transporte refrigerado de produtos perecíveis encarecem o processo. Além disso, as cotações do cacau e açúcar utilizadas na produção da Páscoa foram determinadas meses antes da redução recente dos preços, devido ao calendário de produção iniciado em agosto do ano anterior.
Ajustes nas formulações e impacto no paladar
O analista de mercado Lucca Bezzon aponta que a indústria adotou mudanças nas formulações dos chocolates para conter custos, substituindo parte da manteiga e pó de cacau por gorduras vegetais mais baratas, como óleo de palmiste. Essa mudança visa manter a produção sem repassar integralmente o aumento de custos aos consumidores, mas altera o sabor do produto final, perceptível para consumidores atentos.
Produção robusta e expectativas para a Páscoa 2026
Apesar do cenário de preços elevados no passado recente, a expectativa para a Páscoa de 2026 é otimista. Investimentos em manejo e fertilizantes em países produtores devem garantir safras maiores, criando ciclos de superávit. No Brasil, a safra do Centro-Sul projeta volume superior a 40 milhões de toneladas de açúcar, refletindo uma produção resiliente. A indústria prevê aumento na oferta de itens presenteáveis, com mais de 700 opções, além de maior contratação de trabalhadores temporários, indicando aquecimento do setor.
Consumidor ainda deve enfrentar preços estáveis na Páscoa 2026
Embora a queda nas cotações do cacau e do açúcar represente um alívio para os produtores, o consumidor deve observar preços estáveis no varejo nesta Páscoa, pois o repasse dos custos leva tempo e depende das estratégias comerciais e da logística da indústria. A expectativa é de que apenas na Páscoa do próximo ano os preços possam refletir a redução das matérias-primas. Assim, o preço do ovo de Páscoa 2026 seguirá influenciado por uma combinação de fatores, impedindo uma queda imediata apesar da baixa nas commodities básicas.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil