Ataques no Oriente Médio criam cenário de incertezas econômicas, com impactos no preço do petróleo e decisões do Banco Central
O conflito no Irã traz riscos de alta no preço do petróleo, pressionando a inflação e as decisões de juros no Brasil.
O impacto do conflito no Irã sobre o cenário econômico brasileiro
O conflito no Irã, especialmente os ataques militares dos Estados Unidos e Israel, intensificou preocupações sobre a estabilidade dos preços globais de energia, afetando diretamente o Brasil. Com o Estreito de Ormuz enfrentando bloqueios que comprometem o fluxo de cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial, especialistas alertam para um risco significativo de choque de oferta que pode impulsionar a inflação no país. O Banco Central do Brasil, por sua vez, observa atentamente esses desdobramentos enquanto avalia o início do ciclo de cortes nos juros, previsto para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 17 e 18 de março.
Análises e projeções econômicas diante da alta do petróleo
Segundo a XP Investimentos, a escalada da crise no Oriente Médio abriu uma “caixa de pandora” que introduz elevada volatilidade no mercado global. A plataforma Polymarket indica que a maioria dos investidores espera uma resolução do conflito até abril, mas a incerteza permanece alta. Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, ressalta a aversão ao risco que impulsiona o dólar e, consequentemente, pressiona os preços internos. Para cada aumento de US$ 10 no barril de petróleo, estima-se uma alta de aproximadamente 40 pontos-base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, o que pode elevar a inflação brasileira para até 4,5% em cenários mais severos. O JPMorgan projeta que, em caso de bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, o preço do barril pode chegar a US$ 120.
Decisões do Banco Central e reflexos na política monetária
Embora o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, situe a zona de segurança da inflação com barril até US$ 85, reconhece que valores superiores a US$ 100 podem causar pressões inflacionárias severas. Paulo Vicente, professor da Fundação Dom Cabral, destaca que a percepção de instabilidade já afeta as decisões do Copom, ponderando que a cautela deve prevalecer para evitar oscilações bruscas na taxa básica de juros. Caso o conflito se prolongue, é possível que o ciclo de flexibilização monetária sofra alterações, incluindo redução do ritmo ou antecipação da interrupção dos cortes.
Políticas públicas e estratégia fiscal em meio à crise internacional
No campo fiscal, a alta do petróleo pode trazer efeitos positivos para a arrecadação brasileira, com estimativa da XP de um ganho de R$ 10,7 bilhões para cada US$ 10 adicionais no preço do barril, decorrente de royalties e dividendos da Petrobras. Entretanto, a política de preços da estatal, que busca suavizar o repasse dos aumentos ao consumidor, pode retardar o impacto direto nos combustíveis, especialmente na gasolina, enquanto o diesel tende a refletir a alta com maior antecedência, gerando efeitos indiretos nos custos logísticos e na cadeia produtiva.
Perspectivas futuras e desafios para a economia brasileira
Especialistas concordam que a duração e intensidade do conflito no Irã serão determinantes para o impacto econômico no Brasil. Ainda que a crise possa se resolver em curto prazo, as incertezas políticas, incluindo a transição de governo no Irã, sugerem um período prolongado de instabilidade. O fortalecimento do dólar e a alta do petróleo são fatores externos que desafiam a política monetária e fiscal brasileira, exigindo monitoramento contínuo para ajustar estratégias que preservem a estabilidade econômica e o controle da inflação.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: m retirada de um vídeo obtido pela REUTERS em 1º de março de 2026