Chiquinho Brazão nega ligação com milícias no julgamento do STF

Defesa do ex-deputado contesta acusações de envolvimento com milícias e destaca falta de provas na delação premiada

Defesa de Chiquinho Brazão rejeita acusações de envolvimento com milícias no caso Marielle e questiona credibilidade da delação premiada.

Contexto do julgamento no Supremo Tribunal Federal

O julgamento da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga os supostos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes iniciou-se em 24 de fevereiro de 2026. A defesa de Chiquinho Brazão nega ligação com milícias e contesta o conjunto probatório apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-deputado federal é apontado como um dos responsáveis pela execução, acusação que ele e seus advogados rejeitam veementemente.

Acusações da Procuradoria-Geral da República e relato da delação premiada

A PGR alega que o crime foi motivado por interesses políticos, uma vez que a atuação parlamentar de Marielle Franco, especialmente em pautas contra a atuação de milícias na zona oeste do Rio de Janeiro, contrariava interesses ligados ao grupo político dos irmãos Brazão. O Ministério Público Federal sustenta que Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão teriam ordenado o assassinato para impedir o avanço dessas pautas e “enviar um recado” a outros agentes públicos. Delações premiadas, especialmente a do ex-policial Ronnie Lessa, atribuem aos irmãos Brazão a autoria intelectual do homicídio, mencionando até um pagamento de US$ 10 milhões para a execução.

Defesa questiona a credibilidade das provas e da delação de Ronnie Lessa

Durante a sustentação oral no STF, o advogado Cleber Lopes, representante da defesa de Chiquinho Brazão, afirmou que a delação premiada de Ronnie Lessa é “só retórica” e que a versão apresentada não encontra respaldo nas provas coletadas até o momento. Lopes ressaltou que a delação é um depoimento que precisa estar harmonizado com evidências concretas para ser considerada válida. Ele negou qualquer vínculo do ex-deputado com milícias e contestou a tese da acusação, afirmando que não há elementos que comprovem a participação de Brazão na cadeia de comando do crime.

Impactos políticos e legais da acusação contra Chiquinho Brazão

O caso envolvendo Chiquinho Brazão, Domingos Brazão e outros acusados reflete uma complexa interseção entre política, segurança pública e criminalidade organizada no Rio de Janeiro. A acusação de envolvimento com milícias e a suposta ordem para eliminar uma parlamentar destacam desafios institucionais e reafirmam a importância da investigação rigorosa e do julgamento justo. O processo judicial também evidencia a relevância do foro por prerrogativa de função, já que o ex-deputado possuía a condição que levou o caso ao STF.

Perfil dos demais acusados e andamento do processo

Além de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, respondem à ação penal o delegado Rivaldo Barbosa, o ex-policial militar Major Ronald e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. O processo apura homicídios qualificados, tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves e organização criminosa. As investigações se aprofundam a partir das prisões e condenações dos executores do crime, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. O julgamento, iniciado em 24 de fevereiro de 2026, acontece oito anos após o assassinato, gerando expectativa quanto à responsabilização dos envolvidos e aos desdobramentos políticos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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