Como o TikTok amplia o rastreamento digital e como se proteger

Entenda as novas práticas do TikTok para coletar dados fora do aplicativo e as medidas para preservar sua privacidade online

O rastreio do TikTok vai além do app, coletando dados sensíveis em diversos sites; veja como limitar essa coleta e proteger sua privacidade.

Como o rastreio do TikTok ultrapassa o aplicativo e impacta a privacidade online

O rastreio do TikTok foi intensificado em fevereiro de 2026, com a plataforma expandindo seu alcance para monitorar o comportamento dos usuários em diversos sites fora do aplicativo. Segundo especialistas e a análise da empresa Disconnect, o pixel atualizado do TikTok coleta informações de maneira mais invasiva, capturando dados sensíveis, incluindo detalhes relacionados à saúde, mesmo de pessoas que não possuem conta no aplicativo. Essa mudança ocorreu logo após a transferência das operações do TikTok nos Estados Unidos para um grupo de investidores ligados ao ex-presidente Donald Trump, gerando apreensão sobre a privacidade e o uso dos dados coletados.

As funcionalidades do pixel do TikTok e sua influência na publicidade digital

O pixel do TikTok é um código embutido em sites parceiros que permite à plataforma rastrear o comportamento dos visitantes, facilitando o direcionamento de anúncios e a avaliação da eficácia das campanhas publicitárias. Anteriormente, essa ferramenta basicamente indicava se um anúncio gerava vendas dentro do aplicativo. Agora, com atualizações implementadas em janeiro de 2026, o pixel acompanha os usuários mesmo após saírem do TikTok, monitorando suas compras e interações em outros sites, o que pode ampliar significativamente o volume e a sensibilidade dos dados coletados. Especialistas como Arielle Garcia, do grupo Check My Ads, destacam que essa expansão torna a plataforma mais atrativa para anunciantes, mas também aumenta os riscos para a privacidade.

Exemplos de dados sensíveis coletados e os riscos envolvidos

A investigação da Disconnect revelou que websites relacionados à saúde, como grupos de apoio ao câncer, clínicas de fertilidade e serviços de saúde mental, enviam informações detalhadas ao TikTok por meio do pixel. Dados sobre diagnósticos, tratamentos e crises pessoais foram transmitidos, muitas vezes sem o consentimento explícito do usuário ou mesmo sem que ele tenha conta na plataforma. Essa prática expõe os usuários a riscos como a exposição indevida de informações privadas, coerção comercial, manipulação por algoritmos e possíveis discriminações, evidenciando a necessidade de maior transparência e controle sobre esses dados.

Medidas práticas para impedir o rastreio invasivo do TikTok

Apesar do avanço do rastreio, existem formas eficazes para reduzir a coleta excessiva de dados pelo TikTok. A principal recomendação é a adoção de navegadores focados em privacidade, como DuckDuckGo ou Brave, que bloqueiam rastreadores automaticamente. Alternativamente, usuários podem instalar extensões confiáveis como Privacy Badger, Ghostery ou uBlockOrigin para limitar o funcionamento dos pixels. Além disso, o TikTok oferece algumas configurações internas para limpar dados coletados via pixel e permite solicitações de exclusão para pessoas sem conta na plataforma. Contudo, especialistas alertam que essas medidas são paliativas e o cenário demanda regulamentação mais rigorosa para proteger a privacidade dos usuários.

O papel das regulamentações e a responsabilidade dos usuários na proteção dos dados

As práticas de rastreamento digital demonstram um ecossistema complexo, onde plataformas como TikTok, Google e Meta acumulam grande volume de dados sobre a vida dos usuários. Especialistas apontam que a única maneira efetiva de conter esses avanços é por meio de leis e regulamentações mais fortes, que imponham limites claros e garantam direitos aos consumidores. Enquanto isso não ocorre, cabe aos usuários adotar hábitos conscientes, como evitar o uso das mesmas informações pessoais em múltiplos serviços e manifestar-se politicamente para pressionar por mudanças legislativas. A proteção da privacidade digital é um desafio coletivo que exige participação ativa da sociedade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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