Magistrada destaca preconceito social que associa pessoas negras apenas a funções de serviço e revela impacto da baixa representatividade negra na magistratura
Desembargadora do TRT-23 em MT relata racismo estrutural ao ser confundida com funcionária de supermercado em Cuiabá durante compras.
Racismo estrutural expõe preconceitos enraizados em Cuiabá
No domingo, 17 de maio de 2026, a desembargadora Adenir Carruesco protagonizou um episódio emblemático de racismo estrutural em Cuiabá ao ser abordada de forma insistente por uma cliente de supermercado, que a confundiu com funcionária do estabelecimento. A magistrada, trajando roupas esportivas e sem sua toga, revelou como a “lógica social” brasileira associa o corpo negro prioritariamente a funções de serviço, o que limita a percepção sobre a ocupação de espaços de poder por pessoas negras.
Adenir Carruesco, com destacada atuação no TRT-23, ressaltou que não se tratou de um ataque isolado, mas do reflexo de uma estrutura social que reforça estereótipos e preconceitos por meio da baixa representatividade negra em cargos de magistratura e autoridade. “Preto não é juiz, preto não é desembargador”, afirmou, evidenciando barreiras persistentes na sociedade e no sistema judiciário.
Impactos da baixa representatividade negra na magistratura
A desembargadora Adenir Carruesco, que presidiu o TRT-23 no biênio 2024/2026, destacou que a falta de negros em posições judiciais alimenta estigmas e perpetua o racismo estrutural. Essa ausência histórica reforça a percepção errônea e preconceituosa de que pessoas negras não pertencem a espaços de poder. O reconhecimento dessa realidade é fundamental para compreender os desafios e a importância das políticas afirmativas no judiciário.
Durante sua gestão, Carruesco implementou políticas de promoção da igualdade racial no TRT-23, buscando enfrentar o racismo estrutural que permeia instituições brasileiras. Seu relato no supermercado chamou atenção para a necessidade urgente de ampliar a diversidade e a inclusão em todas as esferas do poder.
A lógica social e o preconceito internalizado no Brasil
O episódio vivido por Adenir Carruesco exemplifica uma lógica internalizada pelo senso comum brasileiro, que associa pessoas negras prioritariamente a serviços e funções subordinadas. Essa concepção é resultado de uma herança histórica marcada pela escravidão e exclusão social. A magistrada enfatiza que o problema não é apenas individual, mas estrutural, exigindo ações contínuas para desconstruir mentalidades e promover a igualdade racial.
A perpetuação desses estereótipos prejudica não só o reconhecimento do potencial de pessoas negras em diversas áreas, mas também impacta a autoestima e a oportunidade de ascensão social dessa população. O combate ao racismo estrutural demanda reflexão profunda e mudanças institucionais.
Compromisso institucional do TRT-23 contra o racismo estrutural
Em nota oficial, o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso manifestou solidariedade à desembargadora Adenir Carruesco e reafirmou seu compromisso com a promoção da igualdade racial, dignidade humana e respeito à diversidade. O tribunal destacou a implementação de políticas internas voltadas ao combate ao racismo estrutural e a contribuição para políticas públicas nacionais nessa área.
O TRT-23 reconhece a necessidade de enfrentar o racismo sistematicamente, trabalhando para construir uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária. A gestão de Carruesco é um exemplo de liderança comprometida com a transformação social e a resistência contra preconceitos enraizados.
Reflexões finais sobre a urgência do combate ao racismo estrutural
O relato da desembargadora Adenir Carruesco evidencia que o racismo no Brasil supera incidentes individuais e está enraizado em estruturas sociais, culturais e institucionais. O reconhecimento desse fenômeno é o primeiro passo para ações efetivas que promovam a igualdade racial.
A continuidade do enfrentamento ao racismo demanda esforços conjuntos da sociedade, instituições e poder público para desconstruir preconceitos e garantir o acesso equitativo a espaços de poder e autoridade para a população negra. A experiência de Carruesco serve como alerta e inspiração para a urgência de mudanças profundas na percepção social e nas práticas institucionais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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