Associação critica proposta de divisão igualitária de cotas e destaca impacto no comércio com a União Europeia
ABIEC alerta que disputa por cotas no Mercosul pode prejudicar exportações brasileiras de carne para a União Europeia.
A disputa por cotas no Mercosul preocupa o setor de carne bovina
A disputa por cotas no Mercosul está gerando apreensão nas indústrias brasileiras de carne bovina. Conforme a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), a falta de consenso sobre a divisão das cotas destinadas à União Europeia pode levar a perdas financeiras e à desorganização do comércio internacional. O presidente da entidade, Roberto Perosa, ressalta que o acordo entre os setores privados do Mercosul, vigente há cerca de vinte anos, sempre refletiu a capacidade produtiva e os volumes exportados por cada país.
Proposta paraguaia de divisão igualitária das cotas e os desafios produtivos
Atualmente, o Paraguai defende uma divisão igualitária das cotas de exportação, propondo 25% para cada país do bloco: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. No entanto, a ABIEC considera que essa proposta não corresponde à realidade produtiva e comercial do Mercosul. O Paraguai tem cerca de 2,5% do market share nas exportações de carne, percentual muito distante dos 25% reivindicados. Essa redistribuição poderia desequilibrar o acordo histórico e afetar diretamente os exportadores brasileiros.
Impacto do acordo Mercosul-União Europeia para o comércio de carne
O acordo provisório entre Mercosul e União Europeia representa um avanço significativo para o comércio internacional de carne bovina. A redução de tarifas, especialmente na Cota Hilton — que abrange cortes nobres — de 27,8% para zero, e a diminuição da tarifa geral para 7,5% tornam a carne bovina brasileira mais competitiva no mercado europeu. Entretanto, o efeito positivo pode ser comprometido pela falta de entendimento entre os países do Mercosul sobre o controle das cotas, o que pode prejudicar os ganhos esperados pelo setor.
Mecanismos de controle das cotas e o risco de perda de competitividade
A ABIEC defende que o controle das cotas permaneça dentro do Mercosul para evitar que o importador europeu decida quando e como os embarques são realizados. O bloco discute a adoção do mecanismo FIFO (First In, First Out), que prevê certificação e emissão de selo para acompanhar os embarques. Sem um acordo sobre os percentuais e controle das cotas, o sistema pode se desorganizar, causando perda de competitividade e redução significativa nas margens dos exportadores da região.
Próximos passos e negociações para preservar interesses do Mercosul
Brasil e Argentina trabalham em uma certificação própria junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para atender às exigências da União Europeia. O Uruguai ainda avalia sua posição. A ABIEC pretende promover reuniões com o setor privado e governos para entender as demandas do Paraguai e buscar um acordo que preserve os interesses do Mercosul. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, expressa confiança na sensibilidade dos países para superar as divergências e destaca que, neste primeiro ano, a cota funcionará pelo princípio de quem chega primeiro ao volume disponível, com uma definição formal prevista para janeiro do próximo ano.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Associação alerta para risco de desorganização no bloco e defende acordo entre os países para evitar prejuízos nas exportações para a União Europeia • Divulgaç