Alta de alimentos preocupa e pode persistir até 2027 com riscos climáticos e geopolíticos

Brian Snyder

Pressão inflacionária causada por fertilizantes caros e El Niño forte desafia metas do Banco Central nos próximos anos

A alta de alimentos preocupa economistas, que veem riscos climáticos e geopolíticos agravando a inflação até 2027.

A alta de alimentos e os riscos para a inflação até 2027

A alta de alimentos preocupa autoridades e economistas, especialmente diante da possibilidade de que a pressão inflacionária observada em 2025 se intensifique nos anos seguintes, 2026 e 2027. O cenário inclui a influência do aumento dos preços dos fertilizantes, resultado do conflito entre Estados Unidos e Irã, e a expectativa de um El Niño forte, que deve se manifestar em meados de 2026, coincidindo com o período seco da região Sudeste do Brasil. Essa combinação pode somar até 2 pontos percentuais à inflação oficial acumulada no biênio, conforme estimativas da Warren Investimentos.

Impacto dos fertilizantes caros no agronegócio e repercussão nos preços

O aumento significativo dos preços dos fertilizantes, insumo fundamental para a produção agrícola, é um dos principais motores da alta de alimentos projetada. Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, produtores do agronegócio estão buscando travar preços em nível elevado, repassando parte do custo ao consumidor final. Isso sinaliza uma tendência de alimentos mais caros pela frente. A pressão ocorre justamente em um momento de instabilidade geopolítica que limita o fluxo desses insumos no mercado global.

Influência do El Niño forte na produção agrícola e nos preços ao consumidor

A ocorrência de um El Niño forte em 2026, confirmada como possibilidade por agências internacionais como a Organização Meteorológica Mundial, pode agravar o cenário para a produção agrícola brasileira. O fenômeno climático, ao coincidir com o período crítico da segunda safra de milho no Sudeste, pode intensificar o déficit hídrico e reduzir a produtividade. Isso elevaria os custos e preços dos alimentos, sobretudo dos in natura, gerando impacto direto na inflação. Estudos indicam que a inflação acumulada de alimentos pode alcançar até 10% ainda em 2026, com efeitos prolongados para 2027.

Diferenças no repasse dos choques de preço entre grupos alimentares

A dinâmica de repasse dos aumentos de custo varia entre os grupos alimentares. Conforme análise da Warren, itens como carnes, peixes industrializados, aves, ovos e leite têm repasse rápido, ocorrendo em até um mês após o choque. Em contrapartida, categorias como cereais, leguminosas e alimentação fora de casa apresentam repasse médio, enquanto farinha, massas e bebidas têm resposta mais lenta, acompanhando a evolução dos custos em até cinco meses ou mais. Essa heterogeneidade dificulta o controle da inflação e amplia o impacto da alta de alimentos no índice oficial.

Desafios para o Banco Central e perspectivas para a política monetária

Diante desse cenário de alta de alimentos e riscos climáticos e geopolíticos, o Banco Central enfrenta desafios para manter a inflação dentro da meta de 3%. A pressão sobre os preços dos alimentos, que compõem uma fatia significativa do IPCA e do INPC, eleva a complexidade da política monetária, especialmente considerando as incertezas em torno da guerra entre Estados Unidos e Irã e o comportamento do fenômeno climático El Niño. Economistas destacam que o monitoramento contínuo será fundamental para ajustar as estratégias e minimizar os impactos econômicos ao consumidor final.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Brian Snyder

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