Análise da XP aponta impacto positivo temporário do programa, mas reforça necessidade de mudanças estruturais para crédito
O novo Desenrola promete reduzir inadimplência e endividamento, mas é visto como alívio temporário, sem solução estrutural para o crédito.
Impactos preliminares do novo Desenrola para inadimplência e endividamento
O novo Desenrola Brasil, anunciado pelo governo federal para renegociação de dívidas em um prazo de 90 dias, traz expectativas de redução nas taxas de inadimplência e no endividamento das famílias, segundo análise da equipe da XP Research. O estudo, que avaliou o pilar Desenrola Famílias, aponta que a razão de endividamento pode cair até 2,3 pontos percentuais e a inadimplência média pode recuar 0,8 pontos percentuais até o final de 2026. Essas mudanças representam um alívio temporário para o mercado de crédito e para a saúde financeira dos consumidores.
Influência do programa no consumo e no Produto Interno Bruto
Além da melhora nos indicadores de crédito, o novo Desenrola tem potencial para impulsionar o consumo das famílias, com uma projeção de aumento entre 0,20 e 0,25 pontos percentuais no crescimento anual desse segmento. Essa elevação no consumo poderia resultar em um avanço de aproximadamente 0,15 pontos percentuais no crescimento total do PIB em 2026, que atualmente é estimado em 2,0%. A iniciativa, portanto, contribui positivamente para a economia nacional, embora seu efeito seja limitado a curto prazo.
Limitações estruturais e necessidades para estabilidade financeira
Apesar dos benefícios iniciais, os economistas Rodolfo Margato, Tiago Sbardelotto e Luíza Pinese destacam que o novo Desenrola não representa uma solução estrutural para o desequilíbrio do mercado de crédito. A experiência da primeira edição do programa reforça que o alívio não se traduz em mudanças duradouras. Para alcançar uma melhora sólida e sustentada na posição financeira das famílias, é imprescindível a redução permanente das taxas de juros aliada à manutenção de um mercado de trabalho robusto.
Condições macroeconômicas e projeções para o futuro do crédito
O cenário-base da XP Research prevê a taxa Selic em 11,50% no final de 2027, considerando a aprovação de pequenas reformas fiscais no próximo governo. Essa conjuntura econômica é fundamental para que o mercado financeiro e as famílias possam estabilizar suas finanças. No entanto, o estudo ressalta que as projeções ainda carregam elevada incerteza devido a variáveis como a participação dos devedores, a adesão das instituições credoras e o volume de pequenas dívidas que podem ser baixadas.
Considerações finais sobre o novo Desenrola e o mercado de crédito
O novo Desenrola Brasil surge como uma iniciativa importante para oferecer um alívio imediato à inadimplência e ao endividamento das famílias brasileiras. Contudo, para que esses ganhos sejam duradouros, é necessário que políticas econômicas mais amplas e estruturais sejam implementadas. A redução sustentável das dívidas e a recuperação financeira dependem de fatores macroeconômicos, incluindo a política monetária e o mercado de trabalho, que deverão ser acompanhados atentamente nos próximos anos.
Fonte: www.infomoney.com.br
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