Pimentel confronta pessoas em situação de rua em vídeo ao lado da Guarda Municipal

Reprodução/Redes Sociais

Pimentel é criticado após vídeo com abordagem a pessoas em situação de rua em Curitiba

Prefeito afirmou que quem quiser permanecer na cidade “tem que trabalhar” e disse que pessoas que recusarem acolhimento “têm que ir embora”

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), virou alvo de críticas após publicar um vídeo abordando pessoas em situação de rua ao lado da Guarda Municipal. Nas imagens, o prefeito afirma que quem quiser permanecer na cidade precisa trabalhar e que aqueles que recusarem acolhimento “têm que ir embora da cidade”.

Vídeo publicado nas redes sociais gerou repercussão política e críticas

O vídeo foi divulgado nesta quarta-feira (6) nas redes sociais do prefeito e rapidamente repercutiu em Curitiba. Durante a abordagem, Eduardo Pimentel conversa com pessoas em situação de vulnerabilidade social enquanto agentes da Guarda Municipal acompanham a ação.

Em um dos trechos mais comentados, o prefeito questiona um homem sobre o uso do Bolsa Família para compra de uma barraca. Em seguida, afirma que pessoas que desejam permanecer em Curitiba “têm que trabalhar”. Em outro momento, diz que quem não aceitar acolhimento “tem que ir embora da cidade”.

A publicação recebeu apoio de parte do eleitorado conservador nas redes sociais, acumulando milhares de curtidas e comentários favoráveis até a tarde desta quinta-feira (7).

Falas provocaram reação de jornalista e debate sobre política higienista

As declarações de Pimentel também geraram críticas. O jornalista David Musso, da BandNews Curitiba, comparou a postura adotada pelo prefeito a práticas associadas ao período da ditadura militar, o que ampliou a repercussão política do caso.

Após a repercussão, Eduardo Pimentel participou ao vivo da programação da emissora e negou que a ação tenha caráter higienista. Segundo ele, o objetivo da prefeitura é oferecer acolhimento e oportunidades para pessoas em situação de rua.

“Nós não queremos, não há nenhum trabalho higienista. O que eu quero é acolher essas pessoas”, afirmou o prefeito durante entrevista.

Internações involuntárias e ações contra população vulnerável ampliam debate

A discussão acontece em meio a outras medidas recentes da Prefeitura de Curitiba relacionadas à população em situação de vulnerabilidade. Em janeiro deste ano, a administração municipal realizou a primeira internação involuntária de uma pessoa em situação de rua, medida que gerou manifestações favoráveis e críticas.

Na ocasião, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) divulgou nota afirmando que internações involuntárias devem ser medidas excepcionais e não políticas permanentes de gestão social.

Outro ponto que tem provocado debate é a criação da chamada Patrulha da Vida e da Saúde, iniciativa apresentada pela prefeitura para atuar no apoio operacional de ações da área da saúde e fiscalização de estabelecimentos irregulares, incluindo clínicas clandestinas de aborto.

Abordagens a pessoas vulneráveis se tornaram pauta frequente em Curitiba

Nos últimos meses, ações envolvendo pessoas em situação de rua e trabalhadores informais passaram a ocupar espaço frequente no debate político da capital paranaense. Vereadores ligados à direita também publicaram vídeos de abordagens nas ruas e defenderam medidas mais rígidas contra barracas e ocupações em espaços públicos.

O vereador Guilherme Kilter, por exemplo, gravou abordagens a pessoas em situação de rua e chegou a ameaçar um homem de prisão por suposto desacato. Já parlamentares como Da Costa e Renan Ceschin passaram a defender operações contra flanelinhas e trabalhadores informais, alegando combate à extorsão e irregularidades.

As ações vêm dividindo opiniões entre apoiadores de políticas mais rígidas de fiscalização urbana e setores que defendem medidas voltadas à assistência social, inclusão e proteção de direitos humanos.

Fonte: Plural Curitiba

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