Ex-goleiro Bruno é preso após descumprir regras da liberdade condicional e viagem para jogo da Copa do Brasil
Participação em partida do Vasco do Acre na Copa do Brasil foi determinante para que a Justiça revogasse o benefício do livramento condicional do ex-jogador
O ex-goleiro Bruno Fernandes foi preso em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, após passar dois meses foragido da Justiça. A revogação de sua liberdade condicional ocorreu depois que ele viajou ao Acre para disputar uma partida da Copa do Brasil sem autorização judicial, violando regras impostas pela Vara de Execuções Penais.
Prisão ocorreu após dois meses de fuga e mobilização das forças de inteligência
O ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 41 anos, foi preso na noite desta quinta-feira (7) em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após permanecer cerca de dois meses foragido da Justiça. A captura foi realizada por agentes da Polícia Militar do Rio de Janeiro em conjunto com setores de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais.
Segundo informações das autoridades, Bruno foi localizado no bairro Porto da Aldeia e não apresentou resistência durante a abordagem. Após a prisão, ele foi encaminhado inicialmente para a 125ª Delegacia de Polícia, em São Pedro da Aldeia, e posteriormente transferido para a 127ª DP, em Búzios, onde foram realizados os procedimentos legais relacionados ao cumprimento do mandado judicial.
A ordem de prisão havia sido expedida em 5 de março pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, após a Justiça entender que o ex-jogador descumpriu condições impostas para a manutenção de sua liberdade condicional. Desde então, Bruno era considerado foragido por não ter se apresentado espontaneamente para retornar ao regime semiaberto.
Viagem ao Acre para disputar Copa do Brasil motivou revogação do benefício
O episódio considerado decisivo para a revogação do livramento condicional foi a viagem realizada por Bruno ao Acre em fevereiro deste ano. Apenas quatro dias após receber o benefício judicial, o ex-goleiro deixou o estado do Rio de Janeiro sem autorização da Justiça para atuar pelo Vasco do Acre em uma partida válida pela Copa do Brasil.
De acordo com os autos do processo, Bruno viajou para Rio Branco no dia 15 de fevereiro de 2026 para defender o Vasco-AC no confronto contra o Velo Clube, de São Paulo. A legislação penal estabelece que beneficiários da liberdade condicional devem cumprir rigorosamente condições impostas pela Justiça, incluindo restrições de deslocamento.
Na avaliação da Vara de Execuções Penais, a ida ao Acre configurou violação direta das medidas cautelares estabelecidas para o cumprimento do benefício. O juiz Rafael Estrela Nóbrega destacou, em despacho judicial, que a conduta do ex-goleiro demonstrou “claro descaso” com as regras determinadas pelo Poder Judiciário.
A partida em questão terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar. Nos pênaltis, o Vasco do Acre acabou eliminado, apesar da atuação de destaque de Bruno, que defendeu duas cobranças e ainda marcou um dos gols da disputa. O vínculo contratual do atleta com o clube acreano foi encerrado em março deste ano.
Outras violações também foram apontadas pelo Ministério Público
Além da viagem não autorizada ao Acre, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou outras irregularidades cometidas por Bruno durante o período em liberdade condicional. Entre elas, estão o não comparecimento regular para atualização de endereço ao longo de três anos, descumprimento de horários de recolhimento domiciliar e presença em eventos sem autorização judicial.
O MPRJ também mencionou a participação do ex-goleiro em partidas e eventos esportivos em outros estados, além da presença em um jogo realizado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. As autoridades entenderam que o conjunto das condutas demonstrava reiterado desrespeito às condições impostas pela Justiça.
Com a revogação do benefício, Bruno deverá voltar ao regime semiaberto para continuar cumprindo a pena imposta pelo assassinato da modelo Eliza Samudio. O mandado expedido pela Justiça possui validade de 16 anos.
Caso Eliza Samudio teve repercussão nacional e internacional
Bruno foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado relacionados à morte de Eliza Samudio. O caso ganhou repercussão nacional e internacional pela brutalidade dos fatos e pela popularidade do então goleiro do Flamengo.
As investigações apontaram que Eliza foi assassinada após cobrar judicialmente o reconhecimento da paternidade de seu filho, Bruninho Samudio. O menino foi posteriormente encontrado em uma comunidade de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais.
Durante o processo, um adolescente primo do goleiro afirmou que Eliza teria sido agredida e assassinada a mando de Bruno. O corpo da vítima jamais foi encontrado. Segundo relatos presentes na investigação, os restos mortais teriam sido ocultados de forma violenta, fato que contribuiu para a enorme repercussão do caso na opinião pública brasileira.
Bruno permaneceu preso em regime fechado entre 2010 e 2019. Posteriormente, progrediu para o regime semiaberto e, em janeiro de 2023, obteve o benefício da liberdade condicional. Desde então, vinha tentando retomar atividades ligadas ao futebol, participando de equipes amadoras e projetos esportivos em diferentes estados.
Debate sobre ressocialização e fiscalização de condenados volta ao centro das discussões
A nova prisão do ex-goleiro reacendeu debates sobre os mecanismos de fiscalização do sistema penal brasileiro, especialmente em casos de grande repercussão pública. Especialistas em execução penal destacam que a liberdade condicional exige cumprimento rigoroso das determinações judiciais e pode ser revogada diante de qualquer infração considerada grave.
O caso também voltou a provocar discussões sobre ressocialização de condenados por crimes violentos e os limites impostos pelo sistema judicial para reintegração social. A tentativa de retorno de Bruno ao futebol profissional gerou controvérsias nos últimos anos, dividindo opiniões entre defensores da ressocialização e críticos da exposição pública do ex-atleta.
Com a prisão efetuada, Bruno deverá permanecer à disposição da Justiça do Rio de Janeiro para definição dos próximos passos do cumprimento de sua pena no regime semiaberto.
Fontes: CNN Brasil, g1 e Itatiaia