Setores não petrolíferos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar registram efeitos da guerra na região, com desafios logísticos, aumento de custos e retração em pedidos
Economias do Oriente Médio registram desaceleração e alta de custos nos setores não petrolíferos devido ao conflito regional em abril.
Impactos do conflito nas principais economias do Oriente Médio em abril
As principais economias do Oriente Médio enfrentaram em abril os efeitos adversos do conflito regional envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O setor privado não petrolífero de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Catar registrou uma série de desafios, incluindo interrupções no espaço aéreo, fechamento do Estreito de Ormuz e problemas logísticos que afetaram a cadeia de suprimentos e a produção. Na Arábia Saudita, apesar da ligeira recuperação da produção, atrasos nas decisões de investimento e aumento expressivo dos custos foram marca do mês.
Análise detalhada da situação na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos
Na Arábia Saudita, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) subiu para 51,5 em abril, recuperando-se do recuo anterior e indicando um leve crescimento no setor não petrolífero. Contudo, o avanço foi limitado pelos adiamentos nos gastos dos clientes e pelos impactos no transporte marítimo. O rápido aumento dos custos de insumos atingiu o maior ritmo desde o início da pesquisa há quase 17 anos, impulsionando também altas nas tarifas de venda.
Nos Emirados Árabes Unidos, o cenário foi mais desafiador. O PMI global caiu para 52,1, o nível mais baixo desde fevereiro de 2021, refletindo uma desaceleração nas vendas e forte queda nos pedidos de exportação, consequência direta das interrupções no transporte marítimo causadas pelo conflito. O aumento dos custos, especialmente em petróleo e frete, pressionou as margens das empresas, enquanto o setor turístico também registrou uma atividade mais fraca.
Consequências no Kuwait e Catar diante do conflito regional
O Kuwait enfrentou uma retração contínua no setor privado não petrolífero, com queda nos novos pedidos, produção e emprego. O fechamento prolongado do espaço aéreo e as restrições no transporte marítimo impactaram diretamente as operações comerciais, refletindo em um PMI estável em 46,3, ainda abaixo do limiar de estabilidade (50).
No Catar, embora o PMI tenha aumentado de 38,7 para 46,4, o setor privado não petrolífero continuou a encolher, com novos negócios em contração e expectativas pessimistas em relação à produção futura. A inflação de custos atingiu seu pico em 16 meses, impulsionada por aumentos em preços de matérias-primas e salários. Apesar disso, a perspectiva de negociações de paz trouxe algum otimismo moderado entre os empresários.
Pressões inflacionárias e respostas empresariais na região
Um aspecto comum a todas as principais economias do Oriente Médio foi a escalada dos preços de insumos e custos de transporte, provocando um aumento considerável nas despesas empresariais. As empresas reagiram elevando suas tarifas de venda, embora em alguns casos, como nos Emirados Árabes, as margens tenham sido comprimidas devido às disrupções e à queda na demanda.
Além disso, a instabilidade nas cadeias de suprimentos levou a atrasos nas entregas e a uma postura mais cautelosa das empresas, que passaram a aumentar seus estoques como medida preventiva. Essa estratégia reflete um planejamento empresarial cuidadoso diante da incerteza prolongada.
Perspectivas e desafios futuros para as economias do Oriente Médio
Apesar dos impactos negativos evidentes em abril, algumas empresas, especialmente em Dubai, mantêm uma visão otimista para o próximo ano, apostando em recuperação da demanda e em investimentos em setores como construção e tecnologia avançada, incluindo inteligência artificial.
Contudo, a continuidade do conflito representa um fator de risco significativo para a estabilidade econômica regional. A reabertura de espaços aéreos e a normalização do transporte marítimo são vistas como essenciais para melhorar as condições de negócios e permitir uma retomada mais vigorosa das economias locais.
A dinâmica dessas economias dependerá também do desenrolar das negociações políticas na região e das condições globais de mercado, que continuam a influenciar diretamente a capacidade de produção, exportação e consumo nos países do Oriente Médio.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: REUTERS/Abdelhadi Ramahi