Apesar da geração de empregos e crédito imobiliário aquecidos, alta nos insumos e juros elevados limitam expansão do setor
Setor da construção mostra expansão moderada em 2026, com geração de empregos e crédito imobiliário, mas sofre com alta nos custos e juros elevados.
Confira o desempenho do setor da construção no primeiro trimestre de 2026
O setor da construção apresentou um início de 2026 com crescimento moderado, suportado principalmente pela geração de empregos e expansão do crédito imobiliário. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o segmento criou mais de 120 mil empregos formais no primeiro trimestre, o melhor resultado desde 2020, com o número de trabalhadores com carteira assinada ultrapassando 3 milhões. Além disso, os financiamentos com recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) aumentaram significativamente, contribuindo para a continuidade das obras e lançamentos imobiliários.
Impacto da alta dos custos e dos juros na projeção de crescimento
Apesar dos avanços iniciais, o setor da construção enfrenta uma deterioração no ambiente econômico devido ao aumento expressivo dos custos dos materiais, impulsionado pela alta do petróleo em decorrência dos conflitos no Oriente Médio. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou aumento de 5,84% nos últimos 12 meses até março de 2026, superando o índice oficial de inflação (IPCA) de 4,14%. A alta da mão de obra também preocupa, com aumento de 8,82%. A elevação dos juros, com a taxa Selic projetada para encerrar o ano em torno de 13%, representa outro desafio, dificultando o acesso a crédito e financiamento de longo prazo essencial para o setor.
Pressões nos contratos públicos e no Minha Casa Minha Vida
A escalada dos custos impacta diretamente a rentabilidade das empresas de construção, especialmente em contratos públicos e projetos habitacionais populares, como o Minha Casa Minha Vida Faixa 1. O presidente da CBIC, Renato Correia, alertou para possíveis desequilíbrios financeiros que podem levar à paralisação de obras, devido às margens apertadas e preços fixos nesses projetos. Obras rodoviárias e contratos corrigidos anualmente também estão vulneráveis às variações dos preços de insumos derivados do petróleo, como o asfalto.
Fatores que sustentam o setor apesar dos desafios
Embora o cenário seja desafiador, a construção civil mantém fundamentos sólidos que sustentam a atividade. A continuidade do mercado imobiliário aquecido, o crescimento do crédito habitacional e os investimentos em infraestrutura previstos pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), com aportes estimados em R$ 300 bilhões em 2026, são elementos positivos. A expansão do emprego formal e o aumento do salário médio de admissão reforçam a capacidade do setor de absorver custos e manter obras em andamento.
Perspectivas e desafios para o setor da construção em 2026
O setor da construção enfrenta um ano de equilíbrio delicado, com a necessidade de continuar investindo e mantendo obras diante da elevação dos custos e das incertezas econômicas e geopolíticas. A CBIC destaca que a confiança dos empresários caiu, refletindo preocupações com a economia, crédito caro e dificuldades na contratação de mão de obra. A utilização do FGTS para pagamento de dívidas também é motivo de alerta, pois o fundo é fundamental para o financiamento de novas moradias e deve ser preservado para minimizar o déficit habitacional no país.
A conjugação desses fatores aponta para um crescimento mais lento da construção civil em 2026, exigindo estratégias que conciliem inovação, eficiência e sustentabilidade financeira para enfrentar o cenário adverso.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil