Banco central mantém interesse no ouro mesmo após redução das compras em 2026

REUTERS/Hiba Kola

Apesar de reduzir aquisições, o Banco Central do Brasil segue alinhado à estratégia de diversificação e valorização do ouro nas reservas

O Banco Central do Brasil diminuiu suas compras de ouro em 2026, mas mantém a estratégia de diversificação das reservas internacionais.

Banco Central do Brasil reduz compras de ouro em 2026, mas mantém interesse estratégico

O Banco Central do Brasil diminuiu o ímpeto de compra de ouro para as reservas internacionais no primeiro trimestre de 2026. Embora tenha sido o quarto maior comprador mundial em 2025, adquirindo 43 toneladas, em 2026 não figurou entre os maiores compradores nos relatórios de janeiro a março do Conselho Mundial do Ouro (WGC). Essa redução ocorre em um contexto de elevada volatilidade nos preços do metal e incertezas geoeconômicas globais.

Contexto global das compras de ouro por bancos centrais e impacto geopolítico

No primeiro trimestre de 2026, os bancos centrais mundialmente compraram 244 toneladas de ouro, um aumento líquido de 3% em relação ao ano anterior, apesar de algumas vendas de países como Turquia, Rússia e Azerbaijão. O WGC destaca que o ouro continua sendo um ativo valorizado para diversificação de reservas, especialmente frente às tensões no Oriente Médio e riscos inflacionários globais que influenciam as decisões de política monetária internacional.

Estratégia de diversificação do Banco Central e evolução da composição das reservas

Nos últimos dez anos, e principalmente a partir de 2020, a participação do ouro nas reservas brasileiras cresceu de 1,19% para 7,19%, enquanto a participação do dólar americano caiu de 83,46% para 72%. Em 2025, o Banco Central ampliou a diversificação da carteira, incluindo instrumentos denominados em won sul-coreano, além de aumentar posições em euro, renminbi e ouro, buscando reforçar segurança e liquidez frente às incertezas econômicas e geopolíticas.

Volatilidade dos preços do ouro e seus efeitos sobre as decisões de compra

O ouro atingiu um pico próximo a US$ 5.600 por onça em janeiro de 2026, antes de sofrer queda acentuada em meio a conflitos internacionais e expectativas de inflação alta. A valorização dos preços da energia elevou a expectativa de inflação global, pressionando bancos centrais a manterem taxas de juros elevadas, o que representa um desafio para o ouro, que não rende juros. Essa conjuntura contribuiu para a retração nas compras por parte do Banco Central do Brasil no início do ano.

Projeções para o mercado de ouro e política monetária nos próximos meses

Apesar da queda recente nos preços, o Conselho Mundial do Ouro acredita que a demanda dos bancos centrais continuará sólida, sustentada pela incerteza geoeconômica e estratégias de desdolarização. Movimentos táticos e ajustes na composição das reservas devem prevalecer, especialmente em resposta a choques de oferta e necessidade de liquidez. O ouro permanece como ativo estratégico para proteção contra volatilidade e riscos cambiais globais.

O Banco Central do Brasil permanece atento a essas dinâmicas, alinhando sua política de reservas internacionais para preservar segurança, liquidez e rentabilidade em um cenário global incerto e em transformação.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Hiba Kola

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