Gleisi Hoffmann afirma que Paraná não é conservador e aposta em vitória da esquerda nas eleições de 2026
Deputada federal defendeu força eleitoral do campo progressista no estado, criticou atuação de Davi Alcolumbre no Senado e confirmou articulação de ampla coalizão para a disputa no Paraná.
Gleisi rejeita rótulo de Paraná conservador
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que não considera o Paraná um estado necessariamente conservador e disse acreditar em uma vitória do campo progressista nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao jornal Plural, publicada nesta segunda-feira (5), em meio às articulações políticas para a disputa estadual e nacional do próximo ano.
Segundo Gleisi, a trajetória política do Paraná demonstra que o eleitorado paranaense não pode ser definido apenas por posições conservadoras. A parlamentar citou como exemplo as eleições do ex-governador Roberto Requião, que governou o estado em três ocasiões, além de sua própria vitória para o Senado em 2010.
“Eu não parto do pressuposto de que o Paraná é um estado conservador e ponto. Nenhum estado conservador elegeria o Requião governador três vezes, não me elegeria senadora”, afirmou a deputada durante a entrevista.
Coalizão de esquerda articula candidatura ao governo estadual
Gleisi integra a coalizão formada por partidos de esquerda e centro-esquerda que pretende disputar o Governo do Paraná em 2026. O grupo é liderado principalmente por PT e PDT e tem como pré-candidato ao governo estadual Requião Filho (PDT).
Além de PT e PDT, a articulação política reúne partidos como PV, PSOL, PSB, Rede e outras legendas alinhadas ao campo progressista. Segundo Gleisi, a aliança ainda pretende definir um segundo nome para disputar uma das vagas ao Senado Federal pelo Paraná.
A deputada é considerada atualmente a principal pré-candidata da esquerda ao Senado no estado. O objetivo da coalizão é ampliar a presença do campo progressista no Congresso Nacional e evitar que as duas vagas em disputa para o Senado sejam ocupadas por candidatos alinhados à direita.
O Paraná aparece atualmente como um dos estados mais desafiadores para o PT e aliados, especialmente após o fortalecimento de grupos conservadores nos últimos ciclos eleitorais. Ainda assim, Gleisi demonstrou confiança na capacidade de recuperação eleitoral da esquerda no estado.
Críticas a Davi Alcolumbre e derrota de Jorge Messias no Senado
Durante a entrevista, Gleisi Hoffmann também comentou a recente derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitada pelo Senado na semana passada. Para a deputada, a decisão representou não apenas uma derrota política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas um problema institucional.
“Foi uma derrota não para o presidente Lula, mas para o rito democrático”, declarou.
A parlamentar criticou diretamente a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), apontado por integrantes do governo como um dos principais articuladores da rejeição ao nome de Messias.
Segundo Gleisi, Alcolumbre precisa definir claramente qual será sua posição política nas eleições deste ano. A deputada afirmou que o governo não pode conviver com aliados considerados pouco confiáveis dentro da base política.
“Não podemos ir para a eleição com o inimigo dentro de casa”, afirmou.
A fala reforça o clima de tensão entre setores do governo federal e integrantes do Centrão após a derrota da indicação ao STF, considerada uma das principais derrotas políticas do Palácio do Planalto em 2026.
Trajetória política de Gleisi Hoffmann no Paraná
Gleisi Hoffmann é uma das principais lideranças do PT no Paraná e possui longa trajetória política no estado e no cenário nacional. Antes de chegar ao Senado Federal, atuou como secretária municipal em Londrina e também ocupou cargos no governo de Mato Grosso do Sul.
Sua primeira disputa ao Senado ocorreu em 2006, quando terminou em segundo lugar, atrás de Álvaro Dias. Em 2008, disputou a Prefeitura de Curitiba e novamente ficou em segundo lugar, perdendo para Beto Richa.
Em 2010, conseguiu se eleger senadora pelo Paraná e, posteriormente, assumiu a Casa Civil durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Nos anos seguintes, foi eleita deputada federal em 2018 e 2022, sempre figurando entre os candidatos mais votados do estado.
Gleisi também ocupou recentemente o cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais no atual governo Lula, mantendo forte proximidade política com o presidente.
Disputa eleitoral no Paraná promete forte polarização
A corrida eleitoral no Paraná tende a repetir o cenário de polarização observado nos últimos anos. O estado é considerado estratégico tanto para a direita quanto para a esquerda devido ao peso eleitoral e à relevância política no Sul do país.
Enquanto partidos conservadores articulam candidaturas fortes ao Senado e ao governo estadual, o campo progressista busca reconstruir espaço político em uma região que apresentou ampla vantagem para candidatos da direita nas eleições presidenciais recentes.
As declarações de Gleisi Hoffmann demonstram a estratégia da esquerda de contestar a ideia de que o Paraná possui perfil exclusivamente conservador. Ao mesmo tempo, revelam o início de uma disputa política intensa que deve dominar o cenário estadual nos próximos meses.
Fonte: Plural
Fonte: Tami Taketani / Plural