Trabalhador morre após descarga elétrica em manutenção da ViaMobilidade em São Paulo

Foto: WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Funcionário da ViaMobilidade morre eletrocutado durante manutenção na Linha 9-Esmeralda em São Paulo

Acidente aconteceu durante serviço de manutenção na rede aérea da Estação Morumbi; concessionária já é investigada pelo Ministério Público por falhas recorrentes nas linhas ferroviárias.

Funcionário morre após descarga elétrica em manutenção da Linha 9-Esmeralda

Um funcionário da concessionária ViaMobilidade morreu na madrugada desta quarta-feira (6) após sofrer uma descarga elétrica enquanto realizava um serviço de manutenção programada na Linha 9-Esmeralda, na cidade de São Paulo. O acidente ocorreu nas proximidades da Estação Morumbi, na zona oeste da capital paulista, durante trabalhos na rede aérea do sistema ferroviário.

Segundo informações divulgadas pela própria concessionária, o acidente aconteceu por volta de 1h20. A vítima foi identificada como Adriano Alves Ferreira, de 43 anos. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas rapidamente e prestaram socorro ao colaborador, mas ele não resistiu aos ferimentos.

Informações preliminares registradas no boletim de ocorrência apontam que a causa da morte foi uma descarga elétrica durante o procedimento técnico realizado na linha férrea. Adriano era casado e pai de uma menina.

Boletim aponta contato com rede energizada de 3 mil volts

De acordo com o registro policial feito no 11º Distrito Policial de Santo Amaro, o funcionário participava do procedimento conhecido como “aterramento para o início das atividades”, etapa considerada padrão antes do começo dos trabalhos de manutenção.

Segundo o boletim de ocorrência, os trabalhadores haviam realizado o desligamento do circuito elétrico da rede. No entanto, por circunstâncias que ainda serão investigadas, houve contato com uma parte que permanecia energizada.

“Os funcionários realizaram o procedimento padrão de desligar o circuito elétrico, porém, em circunstâncias a serem esclarecidas, houve contato com uma parte ainda energizada, ocorrendo morte por eletroplessão. Estima-se que o contato ocorreu com uma corrente contínua de 3.000 volts”, afirma o documento.

A Polícia Civil deverá investigar as condições do acidente e apurar se houve falha operacional, deficiência nos protocolos de segurança ou problemas técnicos no sistema elétrico da linha.

ViaMobilidade lamenta morte e afirma prestar apoio à família

Em nota oficial, a ViaMobilidade lamentou a morte do colaborador e informou que está prestando assistência à família da vítima. A concessionária também afirmou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.

“A concessionária lamenta profundamente o ocorrido e está em contato com os familiares para oferecer suporte e acolhimento neste momento difícil”, informou a empresa.

O caso reacende discussões sobre segurança operacional e condições de trabalho nas linhas administradas pela concessionária, especialmente diante do histórico recente de falhas, descarrilamentos e problemas técnicos registrados no sistema ferroviário paulista.

Ministério Público investiga falhas recorrentes da concessionária

A morte do funcionário acontece em um momento delicado para a ViaMobilidade. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) anunciou recentemente a abertura de um novo inquérito civil público para investigar falhas constantes nas linhas operadas pela empresa, principalmente nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.

Segundo o promotor Silvio Marques, responsável pela investigação, os recentes descarrilamentos, problemas de sinalização, falhas elétricas e interrupções no serviço podem indicar descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2023 entre a concessionária e o Ministério Público.

Na época, a ViaMobilidade havia se comprometido a realizar investimentos antecipados nas linhas ferroviárias e pagar indenizações ao Estado após uma sequência de falhas registradas logo após assumir a operação das linhas da CPTM.

O novo inquérito também apura denúncias relacionadas à precariedade da manutenção, atrasos constantes, superlotação, número insuficiente de trens em circulação e suposto sucateamento de equipamentos.

Linha 9 acumula histórico recente de falhas e descarrilamentos

A Linha 9-Esmeralda vem enfrentando uma sequência de problemas operacionais nos últimos anos. Apenas em 2026, já foram registrados episódios de descarrilamento e desalinhamento de trens que provocaram transtornos aos passageiros e obrigaram a adoção do sistema emergencial de ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).

Desde que a ViaMobilidade assumiu a operação da linha, quatro descarrilamentos foram registrados no sistema. Entre os casos mais recentes estão o descarrilamento ocorrido na região da Estação Berrini, em abril deste ano, e um desalinhamento próximo à Estação Varginha em março.

A Linha 8-Diamante, também administrada pela concessionária, possui histórico semelhante e já acumula seis descarrilamentos desde o início da concessão.

As falhas recorrentes passaram a gerar pressão sobre a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pela fiscalização do contrato. O órgão informou que solicitou relatórios técnicos detalhados sobre os últimos incidentes e poderá aplicar multas entre R$ 40 mil e R$ 4 milhões caso sejam constatadas irregularidades.

Debate sobre privatização e qualidade do serviço volta ao centro das discussões

Os novos problemas envolvendo a ViaMobilidade reacenderam o debate sobre a qualidade da prestação de serviços após a concessão das linhas ferroviárias à iniciativa privada. Passageiros e entidades de defesa do transporte público têm criticado frequentemente a operação das linhas 8 e 9 devido às falhas constantes e aos impactos na rotina da população.

O Ministério Público também investiga denúncias sobre utilização do sistema ferroviário para ações comerciais e eventos enquanto usuários enfrentam atrasos, paralisações e superlotação.

A morte do funcionário durante a manutenção amplia ainda mais a pressão sobre a concessionária e sobre os órgãos de fiscalização. A expectativa agora é que as investigações esclareçam as circunstâncias do acidente e apontem eventuais responsabilidades.

Fonte: g1, TV Globo, Ministério Público de São Paulo e ViaMobilidade

Fonte: Agência São Paulo / TV Globo

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