Trump pressiona Irã com ultimato sobre acordo de paz e ameaça ampliar ofensiva militar no Oriente Médio
Presidente dos Estados Unidos afirmou que bombardeios poderão atingir intensidade “muito maior” caso Teerã rejeite proposta de acordo apresentada por Washington. Negociações entram em fase decisiva nas próximas 48 horas.
Trump aumenta pressão sobre o Irã e ameaça nova escalada militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã nesta quarta-feira (6) ao afirmar que poderá ampliar significativamente os bombardeios militares caso Teerã rejeite a proposta de paz apresentada por Washington. A declaração ocorre em meio às negociações consideradas decisivas para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro entre forças americanas, israelenses e iranianas.
Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que os ataques poderão atingir um nível “muito maior” caso o governo iraniano não aceite os termos do acordo em discussão. Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos estariam dispostos a suspender definitivamente a operação militar e flexibilizar parte do bloqueio naval imposto ao Irã caso haja avanço diplomático nas próximas horas.
“Se o Irã concordar em cumprir o que foi acordado, a já lendária operação Fúria Épica chegará ao fim. Se não aceitarem, os bombardeios começarão e serão, infelizmente, de um nível e intensidade muito maiores do que antes”, escreveu Trump.
A Casa Branca aguarda uma resposta formal do governo iraniano nas próximas 48 horas. Segundo informações divulgadas pelo portal Axios e reproduzidas pela imprensa internacional, o documento enviado pelos Estados Unidos contém um memorando de entendimento que prevê o encerramento gradual das hostilidades e o início de negociações mais amplas envolvendo o programa nuclear iraniano.
Irã confirma recebimento da proposta americana
O governo iraniano confirmou oficialmente que recebeu uma resposta dos Estados Unidos à proposta de paz apresentada recentemente por Teerã. De acordo com a agência estatal Tasnim, o documento foi entregue ao Irã por intermédio do governo do Paquistão e encontra-se sob análise das autoridades iranianas.
Embora Washington ainda não tenha confirmado publicamente os detalhes da resposta, Trump admitiu que teve acesso ao “conceito” do acordo e afirmou que aguardava a versão final do texto. Em declarações dadas à imprensa em Palm Beach, na Flórida, o presidente americano também indicou que uma retomada das operações militares permanece sobre a mesa.
“Se eles se comportarem mal. Se fizerem algo ruim”, afirmou Trump ao ser questionado sobre novos ataques contra alvos iranianos.
A proposta iraniana apresentada anteriormente previa um plano de 14 pontos que incluía a retirada das forças americanas das proximidades das fronteiras do Irã, o fim do bloqueio naval imposto aos portos iranianos e a interrupção de todas as ações militares, incluindo operações israelenses no Líbano.
Além disso, Teerã defendia que um acordo definitivo entre os dois países fosse concluído em até 30 dias, com foco prioritário no encerramento da guerra e não apenas na manutenção do cessar-fogo atualmente em vigor.
Programa nuclear iraniano segue no centro das negociações
O principal ponto de tensão entre Estados Unidos e Irã continua sendo o programa nuclear iraniano. O documento discutido entre as partes prevê uma moratória sobre o enriquecimento de urânio por parte de Teerã, além da abertura de novas negociações internacionais sobre inspeções e monitoramento das instalações nucleares do país.
Em troca, Washington estaria disposto a promover o levantamento gradual das sanções econômicas aplicadas ao Irã e liberar bilhões de dólares em ativos iranianos atualmente congelados no exterior.
Os Estados Unidos insistem que o Irã não pode desenvolver armas nucleares. Trump voltou a repetir nos últimos dias que “o Irã nunca poderá ter uma arma nuclear”, enquanto o governo iraniano nega buscar armamento atômico e afirma que seu programa nuclear possui apenas objetivos pacíficos.
Mesmo assim, organismos internacionais vêm demonstrando preocupação com o avanço do enriquecimento de urânio realizado pelo Irã, considerado próximo dos níveis necessários para uso militar.
Estreito de Ormuz se tornou ponto central da crise global
Outro elemento decisivo nas negociações é o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de grande parte do petróleo comercializado no mundo. Desde o início do conflito, o Irã passou a restringir severamente o tráfego marítimo na região em resposta às ofensivas militares americanas e israelenses.
A crise provocou forte impacto nos mercados internacionais. Centenas de embarcações ficaram retidas no Golfo Pérsico, elevando os preços globais do petróleo, gás natural e fertilizantes. O aumento da tensão também gerou preocupações sobre o risco de uma crise energética internacional.
Segundo o acordo em discussão, o Irã suspenderia as restrições à navegação no Estreito de Ormuz caso os Estados Unidos avancem no processo de retirada gradual do bloqueio naval atualmente mantido contra portos iranianos.
Nesta terça-feira (5), Trump anunciou a suspensão temporária da operação militar “Projeto Liberdade”, criada para escoltar navios comerciais na região. A medida foi interpretada como um gesto diplomático para facilitar o avanço das negociações.
Cessar-fogo permanece instável e pressão política cresce nos EUA
Apesar da existência de um cessar-fogo por tempo indeterminado entre Estados Unidos e Irã desde abril, a situação continua extremamente delicada. Nos últimos dias, foram registrados ataques esporádicos contra embarcações e confrontos na região do Golfo.
Analistas internacionais avaliam que as negociações ainda enfrentam forte resistência interna dentro do regime iraniano, especialmente entre setores ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, considerada uma das estruturas mais radicais do país.
Ao mesmo tempo, Trump também enfrenta crescente pressão política dentro dos Estados Unidos. Parlamentares democratas e até integrantes do Partido Republicano passaram a questionar os custos da guerra, os objetivos militares da operação e a ausência de uma autorização formal mais ampla do Congresso.
O senador republicano Josh Hawley afirmou recentemente que deseja o encerramento do conflito e defendeu a retirada gradual das forças americanas da região. Já a senadora Lisa Murkowski alertou que uma retirada precipitada poderia permitir ao Irã manter capacidades estratégicas intactas.
Mesmo diante das críticas, integrantes do governo americano acreditam que existe uma “janela real” para encerrar o conflito nas próximas semanas. As próximas 48 horas são vistas por diplomatas internacionais como decisivas para definir se o Oriente Médio caminhará para um acordo histórico ou para uma nova escalada militar de grandes proporções.
Fonte: BBC News, DW África, Reuters, Axios e agências internacionais
Fonte: Getty Images / Reuters