Paraná lidera desaprovação a Lula e se torna peça-chave na disputa presidencial de 2026, aponta pesquisa Genial/Quaest
Levantamento mostra que o Paraná registra um dos cenários mais desfavoráveis para o presidente Lula entre os maiores colégios eleitorais do país, enquanto nomes da direita avançam nas intenções de voto para 2026.
Paraná aparece como um dos estados mais resistentes ao governo Lula
O Paraná se consolidou como um dos principais focos de resistência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral de 2026. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (6) mostra que o estado possui um dos maiores índices de desaprovação ao atual governo entre os dez maiores colégios eleitorais do país. Segundo o levantamento, 60% dos paranaenses desaprovam a gestão federal, enquanto apenas 34% aprovam o governo petista.
Os números colocam o Paraná atrás apenas de Goiás em rejeição ao presidente. A pesquisa evidencia um cenário político fortemente desfavorável para Lula no Sul do Brasil, região onde o eleitorado tem demonstrado alinhamento mais consistente com candidaturas de direita e centro-direita nos últimos anos.
Além da desaprovação elevada, a avaliação qualitativa do governo também preocupa o Palácio do Planalto. No Paraná, apenas 25% classificam a gestão como positiva, enquanto 47% consideram negativa. Outros 27% avaliam o governo como regular, demonstrando um ambiente político ainda bastante polarizado no estado.
Intenções de voto mostram força da direita no eleitorado paranaense
Os dados da Genial/Quaest também revelam um cenário eleitoral complicado para Lula no Paraná em possíveis disputas presidenciais de 2026. O estado aparece como um dos territórios mais favoráveis a candidatos ligados ao campo conservador e bolsonarista.
Na simulação apresentada pela pesquisa, Flávio Bolsonaro (PL) surge com forte desempenho entre os eleitores paranaenses, alcançando 49% das intenções de voto em cenários testados. O resultado reforça a permanência da influência política do bolsonarismo no estado, que já havia demonstrado ampla adesão ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições anteriores.
Outro nome que aparece fortalecido é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Embora sua principal base eleitoral seja Goiás, onde lidera com ampla vantagem e alcança índices expressivos de aprovação, Caiado também surge nacionalmente como alternativa competitiva dentro do campo conservador. A pesquisa mostra que o governador goiano tem ampliado espaço no debate presidencial, especialmente em estados onde Lula enfrenta maiores dificuldades.
No Paraná, o desempenho mais fraco de Lula chama atenção principalmente porque o estado possui relevância estratégica no cenário nacional. Com um eleitorado numeroso e historicamente decisivo em disputas presidenciais, o comportamento político paranaense costuma influenciar tendências em outras regiões do Sul e do Centro-Oeste.
Pesquisa revela divisão regional no Brasil para 2026
O levantamento da Genial/Quaest mostra uma clara divisão regional na aprovação do governo Lula e nas tendências eleitorais para 2026. Enquanto estados do Nordeste seguem como principal base de apoio do presidente, Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram os maiores índices de desaprovação.
Entre os estados pesquisados, Pernambuco aparece como o mais favorável ao presidente, com 61% de aprovação. Bahia e Ceará vêm logo em seguida, com 60% e 58%, respectivamente. Já os maiores índices de rejeição foram registrados em Goiás (61%), Paraná (60%) e São Paulo (58%).
Na média nacional dos dez estados analisados, Lula possui 43% de aprovação e 52% de desaprovação. A avaliação qualitativa do governo aponta ainda que 31% classificam a gestão como positiva, 26% como regular e 42% como negativa.
Os números indicam um ambiente eleitoral desafiador para o governo federal, especialmente em regiões economicamente estratégicas. A situação ganha ainda mais relevância diante do crescimento de nomes alternativos no campo conservador, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro.
Disputa entre Lula e Caiado ganha destaque nacional
A pesquisa também simulou cenários de segundo turno entre Lula e Ronaldo Caiado em diversos estados brasileiros. O governador de Goiás aparece competitivo principalmente em regiões onde o presidente enfrenta maior rejeição.
Caiado lidera de maneira isolada em Goiás, onde atinge impressionantes 76% das intenções de voto, consolidando-se como principal força política local. Embora ainda não possua o mesmo alcance nacional de Lula ou da família Bolsonaro, o governador vem sendo apontado por analistas como um dos possíveis nomes da direita moderada para a sucessão presidencial.
Enquanto isso, Lula segue mantendo forte desempenho no Nordeste, mas encontra dificuldades crescentes em estados do Sul e Sudeste. O Paraná se destaca nesse cenário por apresentar simultaneamente alta desaprovação ao governo e forte adesão a candidatos ligados à direita.
Especialistas avaliam que o comportamento do eleitorado paranaense pode se tornar decisivo para o desenho da eleição presidencial de 2026. O estado tem apresentado tendência de consolidação conservadora nos últimos ciclos eleitorais, influenciando diretamente o equilíbrio político nacional.
Levantamento ouviu mais de 11 mil eleitores em dez estados
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 21 e 28 de abril de 2026 e ouviu presencialmente 11.646 eleitores em dez estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco, Ceará e Pará.
Segundo o instituto, a margem de erro é de dois pontos percentuais em São Paulo e três pontos nos demais estados, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi divulgado em meio ao aumento das discussões sobre a sucessão presidencial e após recentes derrotas do governo Lula no Congresso Nacional. O cenário apresentado pela pesquisa indica que a disputa eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos regionais bastante definidos, com o Paraná ocupando posição central entre os estados onde o presidente enfrenta maior desgaste político.
Fonte: Genial/Quaest, UOL, Terra, R7 e BHAZ
Fonte: Ricardo Stuckert/PR e Pedro França/Agência Senado