inadimplência no brasil avança para 82,8 milhões e dívida média ultrapassa salário mínimo

Mapa da inadimplência da Serasa revela crescimento de devedores e aumento do valor médio das dívidas em março

Inadimplência no Brasil alcança 82,8 milhões de pessoas em março, com valor médio da dívida acima do salário mínimo.

Inadimplência no Brasil atinge 82,8 milhões em março segundo Serasa

O levantamento da Serasa divulgado em março indica que a inadimplência no Brasil alcançou 82,8 milhões de pessoas, um aumento de 1,35% em relação a fevereiro. O valor médio das dívidas por pessoa atingiu R$ 6.728,51, superando o salário mínimo, com cada dívida média em R$ 1.647,64. Aline Maciel, diretora da Serasa, destaca que o aumento das dívidas bancárias está ligado à maior bancarização do país, especialmente nas classes D e E.

Como a concentração das dívidas no setor financeiro impacta o cenário

Quase metade das dívidas está concentrada no setor financeiro, incluindo bancos e financeiras, representando 47% do total. Esse dado revela uma mudança estrutural no acesso ao crédito, mas também acende um alerta para o aumento da vulnerabilidade financeira dos consumidores. O programa Desenrola 2.0 concentra esforços nesse setor para facilitar a renegociação das dívidas e oferecer condições mais favoráveis para os inadimplentes.

Principais motivos da inadimplência: desemprego e falta de planejamento

A pesquisa apontou que 38% dos inadimplentes atribuem seu endividamento ao desemprego ou perda de renda, mesmo com sinais positivos no mercado de trabalho. Além disso, 46% dos casos estão relacionados à falta de planejamento financeiro, gastos emergenciais, descontrole e apoio a familiares. Isso sugere que a educação financeira é fundamental para reduzir o índice de inadimplência.

Perfil das dívidas: cartão de crédito e crédito pessoal lideram

O cartão de crédito é a modalidade mais comum, com 73% dos inadimplentes possuindo esse tipo de dívida, sendo que 37% têm débitos acima de R$ 10 mil e 36% há mais de dois anos. Em seguida, o crédito pessoal e empréstimos bancários atingem 53% dos inadimplentes, com metade devendo mais de R$ 10 mil. O cheque especial e limite da conta afetam 33%, com dívidas também significativas em valor e tempo.

Programa Desenrola 2.0 busca facilitar a renegociação de dívidas

Lançado pelo governo federal, o Desenrola 2.0 oferece descontos entre 30% e 90% para quem tem renda de até cinco salários mínimos. A Serasa atua como canal para centralizar as ofertas, que já somam 7,7 milhões. O desconto é o principal atrativo para renegociar, seguido pela redução de juros e parcelas acessíveis. Contudo, especialistas alertam que, apesar do programa ajudar na recuperação financeira temporária, ele não é suficiente para reduzir significativamente a inadimplência devido ao alto volume acumulado de dívidas e juros elevados.

Desafios futuros e perspectivas para o mercado financeiro

Segundo especialistas, a inadimplência pode piorar com a desaceleração econômica e possível mudança no mercado de trabalho. O cenário exige não só iniciativas de renegociação, como o Desenrola 2.0, mas também políticas de educação financeira para melhorar o controle do orçamento pessoal e evitar o crescimento contínuo das dívidas. A conjuntura atual aponta para a necessidade de ações integradas para reduzir o impacto da inadimplência no Brasil.

Fonte: www.infomoney.com.br

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