Desenrola 2.0 e liberação do FGTS alteram cenário do setor imobiliário em 2026

Ricardo Stuckert/PR

Programa de renegociação de dívidas e saque do FGTS impactam negativamente planos e investimentos habitacionais

Desenrola 2.0 e liberação de até 20% do FGTS para quitação de dívidas causam impacto no setor imobiliário, reduzindo investimentos e empregos em 2026.

Confira a programação completa de anúncios e medidas para o setor imobiliário em 2026

4 de fevereiro: Governo federal anuncia o Desenrola 2.0, incluindo liberação de até 20% do FGTS para quitação de dívidas.
27 de janeiro: Segunda redução da taxa Selic para 14,50%, beneficiando linha de crédito imobiliário.

Desenrola 2.0 e FGTS: impacto direto no financiamento imobiliário em 2026

A implementação do Desenrola 2.0 e a autorização para uso de até 20% do saldo do FGTS para pagamento de dívidas foram anunciadas na manhã do dia 4 de fevereiro de 2026, causando um revés inesperado para o setor imobiliário. O programa visa aliviar o endividamento da população, especialmente em dívidas de cartão de crédito e cheque especial, principalmente entre trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, público-alvo dos financiamentos habitacionais subsidiados.

Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC), essa medida pode retirar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 8,2 bilhões do FGTS, impactando diretamente a geração de empregos e o acesso à moradia. Projeções indicam a perda de até 107 mil postos de trabalho no setor e a impossibilidade de acesso a moradia para até 46 mil famílias, além de redução significativa na arrecadação estatal e no PIB. Luiz França, presidente da ABRAINC, destaca que essa troca de um investimento de longo prazo por pagamentos imediatos é um paliativo que não resolve o problema estrutural do endividamento.

Reação do setor de construção civil diante dos desafios econômicos e regulatórios

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também demonstrou preocupação com o impacto da liberação dos recursos do FGTS para o saneamento financeiro dos trabalhadores, principalmente na continuidade e execução do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Além do efeito direto da retirada de recursos, o setor enfrenta incertezas causadas pelos altos juros, aumento do custo das obras devido à crise do petróleo e mudanças tributárias.

Empresas listadas em bolsa, como MRV, Cury, Direcional, Tenda e Cyrela, apresentaram quedas expressivas em suas ações após o anúncio, refletindo a percepção negativa dos investidores diante do cenário.

Análise da dependência do setor imobiliário no FGTS e perspectivas para 2026

O FGTS representa a segunda maior fonte de financiamento do mercado imobiliário, respondendo por 43% dos novos financiamentos em 2025, com R$ 138 bilhões financiados. Cerca de 90% do orçamento total do fundo, que soma R$ 160,5 bilhões para 2026, é destinado à habitação, incluindo subsídios para famílias de baixa renda.

O setor tem buscado diversificar suas fontes de financiamento para reduzir a dependência do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que também enfrenta desafios com a retirada líquida da poupança. No segundo semestre de 2025, houve avanços com a criação de crédito imobiliário para famílias de classe média e aumento dos limites do Minha Casa, Minha Vida, impulsionados pela queda da Selic.

Perspectivas e desafios futuros para o mercado imobiliário após o Desenrola 2.0

Embora o setor imobiliário tenha iniciado 2026 com otimismo devido à redução dos juros, a inclusão do FGTS no programa Desenrola 2.0 gerou uma surpresa negativa, segundo a ABRAINC. A retirada desses recursos impacta diretamente a economia, considerando o alto efeito multiplicador do investimento habitacional, que gera empregos e receita tributária.

Especialistas alertam para a necessidade de soluções estruturais que não comprometam o patrimônio de longo prazo dos trabalhadores, buscando alternativas que promovam a sustentabilidade financeira do setor e o acesso à moradia para as famílias brasileiras. A combinação de fatores econômicos, regulatórios e a gestão do endividamento será determinante para o desempenho do mercado imobiliário em 2026 e nos anos seguintes.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Ricardo Stuckert/PR

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