Banco suíço revisa expectativa de cortes da Selic e reforça cenário positivo para moeda e títulos longos brasileiros
UBS revisa projeções após Copom, reduz cortes da Selic e mantém confiança no real e juros longos do Brasil.
Ajustes do UBS após decisão do Copom impactam projeções para Selic
O UBS calibra projeções para a política monetária brasileira após o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual. Nas próximas reuniões de junho e agosto, o banco espera cortes de 0,25 ponto em cada, uma desaceleração na redução frente aos 0,50 pontos previstos anteriormente. Esta modificação é atribuída ao preço alto do petróleo, que, enquanto permanecer acima de US$ 90 por barril, impõe cautela ao ritmo das mudanças.
Os analistas do UBS, liderados por seus economistas especializados em mercados emergentes, revisam o cenário com atenção à dinâmica global dos preços de energia e seus impactos internos. A expectativa para setembro permanece em uma queda maior de 0,50 ponto, porém o banco ressalta que a continuidade dos cortes dependerá das condições fiscais brasileiras e da evolução inflacionária, especialmente considerando o período eleitoral previsto para outubro.
Real forte se destaca entre moedas latino-americanas com apoio do UBS
O UBS mantém sua confiança no real brasileiro como a principal moeda da América Latina, posicionando-o à frente do peso mexicano e chileno. A taxa de juros real alta — próxima a 10% ao ano — e a estimativa de que a política monetária ainda é fortemente restritiva sustentam essa visão. O banco julga que a combinação de um Banco Central cauteloso diante do petróleo em alta reforça essa tendência.
Além disso, o perfil exportador do Brasil favorece a moeda, que se beneficia tanto do aumento nos preços da energia quanto da redução das tensões globais que elevam o apetite por risco nos mercados emergentes. Essa dinâmica econômica é vista como fundamental para a valorização do real nos meses seguintes, apesar do cenário de ajustes graduais na Selic.
Perspectivas para títulos longos brasileiros e riscos fiscais
Quanto aos títulos públicos de prazo mais longo, o UBS mantém posição comprada em papéis de dez anos, mesmo após recente alta nas taxas de juros. Os níveis atuais são considerados historicamente atrativos, com risco fiscal de curto prazo limitado. A proximidade das eleições de 2026 abre uma janela favorável para a compra desses ativos, segundo os especialistas do banco.
O UBS destaca que o Banco Central sinalizou que poderá adaptar não só a velocidade, mas também a extensão total do ciclo de afrouxamento monetário, de acordo com a evolução da economia e da inflação. Isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo das políticas públicas e do impacto das decisões políticas no ambiente econômico.
Impactos do petróleo e política monetária no cenário econômico brasileiro
O preço elevado do petróleo é um fator determinante para o ajuste na expectativa dos cortes da Selic. O UBS observa que enquanto o barril de Brent não registrar queda consistente abaixo de US$ 90, o Banco Central tenderá a adotar ritmo prudente na flexibilização da política monetária. Essa postura tem repercussão direta na inflação e nas condições de financiamento para a economia.
Além disso, a interação entre a política fiscal, o cenário eleitoral e as pressões inflacionárias cria um ambiente de incerteza que exige uma resposta calibrada das autoridades monetárias. O UBS avalia que a rigidez atual da política monetária cria espaço para cortes futuros, porém de forma controlada e dependente dos indicadores macroeconômicos.
Cenário regional e a estratégia do UBS para a América Latina
O Brasil segue como principal aposta do UBS na América Latina, refletindo uma avaliação positiva da estabilidade macroeconômica e das oportunidades nos mercados financeiros locais. A instituição observa que, apesar dos desafios globais, o país apresenta fundamentos robustos que sustentam a valorização do real e a atratividade dos títulos longos.
Essa estratégia posiciona o UBS para aproveitar o potencial de retorno do Brasil comparado a outras economias da região, especialmente em um contexto de volatilidade internacional. A análise detalhada dos fatores internos e externos permite ao banco ajustar suas projeções e recomendar estratégias de investimentos alinhadas ao cenário atual.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Arnd Wiegmann