CNC critica medida do Desenrola 2.0 e destaca riscos para a poupança dos brasileiros
CNC alerta que uso do FGTS para quitar dívidas no Desenrola 2.0 não resolve problema e pode prejudicar poupança dos brasileiros.
Uso do FGTS para quitar dívidas não é solução definitiva para endividamento
O uso do FGTS para quitar dívidas no Desenrola 2.0, programa anunciado pelo governo federal, tem gerado debates intensos. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alertou nesta terça-feira (28) que o uso do FGTS para quitar dívidas não resolve o problema do endividamento das famílias brasileiras. Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, ressalta que essa prática representa um risco para a poupança nacional, já que o Brasil possui baixo índice de reservas financeiras.
O que prevê o Desenrola 2.0 para os beneficiários do FGTS
O programa Desenrola 2.0 permitirá que os beneficiários utilizem até 20% dos depósitos acumulados no FGTS para renegociar dívidas. Conforme anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o saque será limitado e vinculado exclusivamente ao pagamento dos débitos, podendo ser menor do que o valor total das dívidas. Os juros para refinanciamentos devem ficar abaixo de 2% ao mês, com descontos que podem variar entre 20% e 90%, incluindo o principal e os juros.
Impactos econômicos de curto e longo prazo do uso do FGTS para quitar dívidas
No curto prazo, o aporte financeiro do FGTS pode impulsionar o pagamento de dívidas e estimular o consumo em setores do comércio e serviços. Entretanto, segundo a CNC, no médio e longo prazo, essa medida pode ser contraproducente, pois pode induzir inflação e estimular a tomada de novas dívidas caso não haja políticas complementares para conter o endividamento.
Necessidade de medidas estruturais para combate ao endividamento
A CNC enfatiza que o Desenrola 2.0 deve incorporar mecanismos que promovam solução definitiva para o endividamento. O uso do FGTS como fonte para quitar dívidas é considerado paliativo, já que compromete uma das principais reservas financeiras das famílias brasileiras. Para combater a inadimplência de forma sustentável, é fundamental a implementação de políticas econômicas que incentivem a educação financeira e o controle rigoroso do crédito.
Foco inicial nas pessoas físicas e condições do refinanciamento
A fase inicial do Desenrola 2.0 será destinada às pessoas físicas, com previsão de contemplar posteriormente trabalhadores informais e pequenas empresas. O programa contará com juros abaixo de 2% ao mês nos refinanciamentos e descontos que variam de 20% a 90% do montante total da dívida, buscando aliviar a pressão financeira sobre os devedores e estimular a recuperação econômica.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br