Fed pode enfrentar cenário inédito com powell e guerra de poderes

REUTERS/Kent Nishimura

Entenda como a permanência de Jerome Powell no conselho do Fed gera tensão e pode dividir a autoridade monetária americana

Jerome Powell pode permanecer no conselho do Fed após perder o comando, criando uma situação rara que desafia o controle do presidente Trump.

O contexto da decisão de Jerome Powell no Federal Reserve

Jerome Powell enfrenta um momento crucial no Federal Reserve, já que seu mandato como chairman expira em 15 de maio de 2026. Contudo, a possibilidade de ele permanecer no Conselho de Governadores até 2028 abre espaço para um cenário incomum dentro da autoridade monetária americana. Essa situação traz à tona a keyphrase “Jerome Powell” logo no início, destacando a relevância de sua permanência para o futuro do Fed.

A tensão entre Powell e o presidente Donald Trump tem sido um fator central nessa disputa. Trump critica publicamente Powell, acusando-o de agir conforme interesses políticos e questionando sua gestão durante os períodos de alta inflação e ajuste das taxas de juros. Essa conjuntura evidencia a complexidade da relação entre o Fed e o governo americano.

Histórico e precedentes raros de membros que permaneceram no Fed

A situação de Powell não é inédita, mas extremamente rara. Em 1948, Marriner S. Eccles, também presidente do Fed, não foi reconduzido à presidência, mas optou por permanecer no conselho. Na época, essa decisão teve impacto significativo na independência institucional do Fed, culminando no Acordo Fed–Tesouro de 1951, que molda até hoje a atuação do banco central.

Esse precedente mostra que a permanência de um ex-presidente no conselho pode fortalecer a autonomia da instituição frente ao Poder Executivo, estabelecendo um equilíbrio delicado entre políticas monetárias e políticas governamentais.

Investigações e tensões políticas que envolvem Jerome Powell

Além do embate político com Trump, Jerome Powell enfrentou investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça sobre supostas informações falsas ao Congresso, relacionadas a um projeto de reforma da sede do Fed que apresentou custos superiores ao previsto. Apesar do processo ter sido recentemente encerrado, ele contribuiu para atrasos na confirmação de outros membros importantes do conselho.

Adicionalmente, disputas judiciais envolvendo outros diretores do Fed, como Lisa Cook, evidenciam o cenário turbulento que envolve a liderança e a governança da instituição. Esses episódios reforçam o ambiente de incerteza e litígio que Powell pode considerar para decidir sua permanência.

As possíveis consequências da permanência de Powell no conselho do Fed

A permanência de Jerome Powell no conselho, mesmo após deixar a presidência, pode estabelecer uma dinâmica inédita de poder dentro do Federal Reserve. Ele poderia atuar como um “presidente sombra”, reduzindo a influência do seu sucessor, Kevin Warsh, nome favorito de Trump.

Essa divisão no comando do Fed pode impactar decisões estratégicas da política monetária americana, especialmente diante do atual cenário econômico incerto. O paralelo feito com o “Grande Cisma do Ocidente” ilustra a gravidade desta situação, ao comparar a possível dualidade de liderança do Fed com a histórica disputa entre dois papas.

Próximos passos e expectativa para a coletiva do chairman

A coletiva de imprensa marcada para a tarde de 29 de fevereiro é aguardada como momento decisivo para esclarecer o futuro de Jerome Powell e do Federal Reserve. Autoridades e o mercado estão atentos para entender como essa disputa se desenrolará e quais impactos isso terá na política monetária e na estabilidade econômica dos EUA.

As respostas obtidas poderão definir o rumo do Fed em um período crítico, refletindo diretamente na confiança dos investidores e na condução da economia americana.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Kent Nishimura

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