macacos de Gibraltar consomem terra para evitar dores de barriga

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Comportamento aprendido ajuda primatas a neutralizar efeitos da alimentação turística inadequada

Macacos de Gibraltar adotam o consumo de terra para neutralizar os efeitos de alimentos não naturais oferecidos por turistas, evitando dores estomacais.

Macacos de Gibraltar adotam consumo de terra para evitar dores de barriga

No Rochedo de Gibraltar, entre agosto de 2022 e abril de 2024, pesquisadores observaram que os macacos de Gibraltar passaram a consumir terra com mais frequência. Esse comportamento tem sido interpretado como uma estratégia para evitar dores de barriga causadas por alimentos humanos inadequados, consumidos durante a interação com turistas. Sylvain Lemoine, antropólogo biológico da Universidade de Cambridge e autor principal do estudo, destaca que esse hábito pode atuar como um antiácido natural, ajudando a equilibrar o pH intestinal e neutralizar toxinas presentes em guloseimas como chocolate, batatas fritas e sorvete.

A influência da alimentação turística no comportamento dos primatas

Os macacos de Gibraltar, originários do Norte da África, foram expostos a uma alimentação muito diferente de sua dieta natural, composta majoritariamente por frutas, verduras e sementes. A introdução frequente de alimentos ricos em açúcar, gordura e laticínios tem causado distúrbios digestivos nesses animais. A geofagia, ou consumo deliberado de solo, surge como uma resposta adaptativa para esses problemas digestivos, aliviando o desconforto e possivelmente reduzindo impactos negativos no microbioma intestinal. O estudo documentou 46 casos de ingestão de solo, concentrados principalmente em grupos que têm maior contato com turistas e seus alimentos.

Geofagia como comportamento socialmente aprendido entre macacos

O consumo de solo não ocorre de forma isolada; os macacos mais jovens observam e imitam os mais velhos, indicando que a geofagia é um comportamento socialmente transmitido. Diferentes grupos tendem a preferir tipos específicos de solo, e a maior parte da ingestão acontece na presença de outros indivíduos. Essa capacidade de aprender e adaptar hábitos alimentares diante das mudanças ambientais e da interferência humana evidencia a plasticidade comportamental dos primatas, aproximando-os dos seres humanos em termos de estratégias de sobrevivência.

Impactos e implicações para a relação entre turistas e animais

A investigação conduzida por Lemoine e sua equipe alerta para as consequências da alimentação inadequada dos macacos por turistas, sugerindo que essa prática estimula comportamentos compensatórios que poderiam ser evitados com medidas de controle e educação dos visitantes. Embora o consumo de terra possa ajudar os animais a se sentirem melhor durante episódios de digestão difícil, a alimentação irregular e não natural representa um desafio para a saúde e o bem-estar da população de macacos de Gibraltar. O estudo reforça a necessidade de políticas que desencorajem a alimentação direta dos animais e promovam uma convivência mais respeitosa.

Contexto histórico e científico da população de macacos de Gibraltar

Os macacos que vivem em Gibraltar são a única população de primatas em vida livre na Europa. Acredita-se que tenham chegado durante o domínio mouro medieval e, posteriormente, foram reforçados por exemplares do Marrocos e da Argélia durante a Segunda Guerra Mundial, por ordem de Winston Churchill. Além do seu valor simbólico e histórico, esses primatas são objeto de estudos científicos que buscam entender como espécies selvagens se adaptam a ambientes antropizados. A prática da geofagia, observada em outras espécies como chimpanzés e lêmures, reforça a importância do solo como elemento funcional no equilíbrio da saúde digestiva desses animais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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