IbC-Br indica ritmo moderado da economia com impactos de juros e conflitos externos

Alexandre Mota

Prévia do PIB mostra expansão em fevereiro, mas destaca desaceleração gradual influenciada por alta dos juros e cenário internacional

IbC-Br de fevereiro 2026 revela expansão da economia brasileira, mas aponta desaceleração gradual devido a juros altos e efeitos do conflito no Oriente Médio.

Panorama geral do IbC-Br fevereiro 2026 e suas implicações na economia

O IbC-Br fevereiro 2026 apresentou alta de 0,6%, refletindo uma resposta positiva da economia brasileira ao crescimento da massa de renda real das famílias, medidas governamentais de estímulo e programas de transferência de renda. Essa expansão sugere que, apesar dos desafios, a atividade econômica mantém tração, puxada principalmente pela indústria. Rodolfo Margato, economista da XP, destaca a “solidez no ganho de velocidade da atividade doméstica” no primeiro trimestre do ano, indicando um início robusto. No entanto, ao comparar com o mesmo mês do ano anterior, observa-se uma leve moderação, resultado da alta dos juros e desaceleração econômica, o que indica que o crescimento pode estar perdendo fôlego gradativamente.

Impactos da alta dos juros e da desaceleração estrutural no crescimento

A política monetária mais restritiva, com juros elevados, tem como objetivo esfriar a economia para controlar a inflação, impactando diretamente o ritmo da atividade. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, associa a queda na comparação anual à estratégia do Banco Central. Essa desaceleração é particularmente visível na acomodação do setor de serviços, que possui grande peso no PIB e tende a apresentar desempenho mais fraco ao longo de 2026, conforme destaca Leonardo Costa, economista do ASA. A combinação de inflação persistente e alto endividamento das famílias cria condições financeiras apertadas que limitam a expansão econômica, trazendo desafios para o controle da inflação e a condução da política monetária.

Influência das condições externas e do conflito no Oriente Médio

Os dados de fevereiro ainda não incorporam os efeitos do conflito entre Irã e Estados Unidos, que têm potencial para afetar a economia brasileira via aumento dos preços do petróleo, inflação global e condições financeiras internacionais. Peterson Rizzo, gerente de RI da Multiplike, alerta que os impactos desses choques externos serão observados nas próximas leituras do índice. Este cenário externo gera incertezas e pode dificultar ainda mais as decisões do Banco Central quanto à flexibilização da taxa Selic, restringindo espaço para cortes agressivos, conforme analisa Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos.

Projeções do PIB para 2026 e expectativas do mercado

As principais instituições financeiras mantêm projeções do PIB para 2026 em torno de 1,5% a 2,0%, com variações conforme o perfil de análise. A XP e a Genial Investimentos estimam crescimento de 2,0%, enquanto a Ouro Preto aposta em um intervalo entre 1,5% e 1,7%, prevendo cenário de juros elevados e crescimento baixo por mais tempo. O Goldman Sachs projeta um crescimento mais conservador de 1,6%, alinhado com as estimativas da Azumi Investimentos e Asset Bank. Essas projeções refletem a expectativa de uma desaceleração gradual da economia, com maior participação do setor externo na composição do PIB e perda do ímpeto dos vetores ligados ao consumo interno.

Riscos e desafios para o ambiente corporativo e o mercado de crédito

Enquanto o consumo das famílias ainda sustenta parte da atividade econômica, o ambiente corporativo começa a sentir os efeitos da transição do ciclo econômico. A desaceleração anual levanta preocupações sobre a qualidade dos ativos e o risco de crédito. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca a necessidade de maior rigor na análise de risco empresarial em um contexto de capacidade de pagamento pressionada por juros altos. A conjuntura demanda atenção redobrada dos investidores e agentes econômicos para a gestão dos riscos financeiros e manutenção da estabilidade econômica em um cenário marcado por incertezas internas e externas.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Alexandre Mota

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