A entressafra e desafios logísticos pressionam as exportações brasileiras de café, afetando volume e receita no primeiro trimestre de 2026
Exportações de café no Brasil caem 7,8% em março; receita recua 15,1% devido à entressafra e desafios logísticos.
Queda nas exportações de café em março de 2026 revela entressafra e impactos logísticos
As exportações de café no Brasil recuaram 7,8% em março de 2026 em comparação ao mesmo mês do ano anterior, conforme relatório do Cecafé divulgado em 13 de abril. O impacto foi ainda maior na receita, que caiu 15,1%, totalizando US$ 1,125 bilhão. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, atribui a redução principalmente ao período de entressafra, quando há menor disponibilidade do produto no mercado, e à decisão dos produtores de segurar vendas na expectativa de preços melhores.
Além do ciclo natural da safra, fatores externos como entraves logísticos nos portos brasileiros e o cenário geopolítico internacional ampliam as dificuldades para o setor. Retenções de contêineres e atrasos nos embarques, além de custos elevados de frete e seguro marítimo decorrentes da guerra no Oriente Médio, pressionam o desempenho das exportações.
Desafios estruturais e geopolíticos influenciam o desempenho do café brasileiro
A infraestrutura logística concentrada em portos como Santos, que responde por 75,7% dos embarques no primeiro trimestre, e o complexo do Rio de Janeiro, com 20,3%, intensifica os gargalos estruturais. Estes desafios afetam os prazos e custos de exportação, impactando a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.
A guerra no Oriente Médio eleva os custos operacionais para frete e seguro marítimo, dificultando a comercialização. Essa conjuntura global adversa adiciona volatilidade aos preços e pressiona os produtores, que já enfrentam o desafio da entressafra com menor volume disponível para venda.
Tendências no mercado de cafés por tipo no primeiro trimestre de 2026
No acumulado do primeiro trimestre, o Brasil exportou 8,46 milhões de sacas, retração de 21,2% em relação a 2025. Apesar do recuo em volume, a receita atingiu US$ 3,37 bilhões, queda de 13,6%. O café arábica, principal produto exportado, teve redução de 25,8% nos embarques, mantendo 79,3% da participação.
O café solúvel registrou leve queda de 1,5% e representou 11,4% do total exportado. Em contrapartida, os cafés canéforas (robusta e conilon) cresceram 11%, elevando sua participação para 9,2%. Os cafés diferenciados, compostos por produtos certificados, sustentáveis e especiais, representaram 19,1% das exportações, porém apresentaram queda de 42,7% no volume e 37,7% na receita, apesar de preços médios superiores, em torno de US$ 451,56 por saca.
Principais destinos e concentração logística nas exportações de café do Brasil
A Alemanha liderou as importações no primeiro trimestre, com 1,19 milhão de sacas, seguida pelos Estados Unidos, que tiveram forte queda de 48,3%, importando 936,6 mil sacas. Itália, Bélgica e Japão compõem o ranking, apresentando resultados variados entre crescimento e retração.
A concentração da logística nos portos de Santos, Rio de Janeiro e Paranaguá evidencia a dependência da infraestrutura existente para escoamento da produção. Essa concentração, aliada a entraves operacionais, gera atrasos e limita a capacidade de resposta do setor às demandas do mercado global.
Perspectivas para a safra e o mercado cafeeiro em 2026
Apesar do cenário desafiador no início de 2026, projeções indicam aumento na produção e oferta global de café, o que pode pressionar os preços no curto prazo. Os produtores brasileiros, capitalizados e atentos às condições de mercado, devem seguir ajustando suas estratégias de venda e estoque.
O fortalecimento da cadeia logística e a superação dos entraves mencionados serão fundamentais para garantir a competitividade do Brasil, maior exportador mundial de café, diante das dinâmicas econômicas e geopolíticas atuais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Café em colheita na Colômbia • Reuters