Ilha do Mel registra primeiro terremoto neste domingo; sismo foi de magnitude 2,4

Foto: José Fernando Ogura

Sismo de magnitude 2,4 foi registrado na madrugada de domingo e sentido por moradores e turistas no Litoral do Paraná

Tremor ocorreu na região da Ilha do Mel, em Paranaguá, e foi confirmado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo; apesar do susto, especialistas afirmam que eventos desse porte raramente causam danos.

Tremor de terra é registrado na Ilha do Mel e confirmado por especialistas

Um tremor de terra foi registrado no início da madrugada de domingo, 12 de abril de 2026, às 00h28, na região da Ilha do Mel, localizada no município de Paranaguá, no Litoral do Paraná. A ocorrência foi confirmada pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), após análise dos dados coletados por estações de monitoramento sísmico. Segundo o geofísico José Alexandre A. Nogueira, responsável pela confirmação do evento, o sismo atingiu magnitude 2,4 na Escala Richter e teve epicentro na região costeira paranaense.

De acordo com especialistas, esse foi o primeiro terremoto oficialmente registrado na área da Ilha do Mel. Embora a magnitude seja considerada baixa, o fenômeno chamou atenção por ter sido percebido por moradores e turistas, principalmente na comunidade de Encantadas. Nas redes sociais, pessoas que estavam em cidades próximas, como Pontal do Paraná, relataram ter sentido o tremor durante a madrugada, descrevendo vibrações rápidas e um leve abalo nas estruturas.

Características do sismo e percepção da população

Os dados preliminares indicam que o tremor foi classificado como um sismo raso, ou seja, com profundidade estimada entre 0 e 10 quilômetros abaixo da superfície. Esse tipo de ocorrência tende a ser mais perceptível pelas pessoas, mesmo quando apresenta baixa magnitude. Apesar disso, especialistas ressaltam que tremores nessa faixa raramente provocam danos estruturais ou representam risco significativo à população.

Segundo o geofísico da USP, eventos com magnitude entre 2 e 3 na Escala Richter são relativamente comuns e acontecem com frequência em diferentes regiões do Brasil. Tremores dessa intensidade costumam ocorrer semanalmente em algum ponto do território nacional, enquanto registros um pouco mais intensos são observados quase todos os meses. Ainda assim, o fato de ser o primeiro registro oficial na região da Ilha do Mel contribuiu para o impacto e a repercussão do episódio entre os moradores locais.

Causas naturais e características geológicas da região

Especialistas explicam que os terremotos são fenômenos naturais provocados por pressões acumuladas no interior da Terra. Essas tensões geram deslocamentos repentinos ao longo de falhas ou fraturas existentes na crosta terrestre, liberando energia na forma de ondas sísmicas. Esse processo é responsável pelos tremores sentidos na superfície.

A região onde ocorreu o sismo está associada à chamada falha de Santos, estrutura geológica que compõe a Bacia de Santos. Essa formação contém falhas profundas e estruturas resultantes da separação entre os continentes da América do Sul e da África, processo geológico que ocorreu há milhões de anos. Essas características tornam a área suscetível a pequenos ajustes naturais na crosta terrestre, que podem gerar tremores ocasionais.

Histórico de tremores e monitoramento sísmico no Paraná

Apesar de o evento registrado na Ilha do Mel ter sido o primeiro oficialmente identificado no Litoral do Paraná, tremores de terra não são incomuns em outras regiões do estado. O Centro de Sismologia monitora áreas suscetíveis desde 2015 e já registrou cerca de 20 eventos sísmicos ao longo dos últimos dez anos, principalmente na região Norte do Paraná, ao sul do município de Londrina.

Os registros históricos indicam magnitudes variando entre 0,5 e 2,1 na Escala Richter, sendo o maior evento registrado em 24 de outubro de 2018. O último tremor confirmado instrumentalmente antes do episódio deste domingo ocorreu em 26 de dezembro de 2025, também sem causar danos significativos. As autoridades e centros de pesquisa seguem monitorando a atividade sísmica no estado, reforçando que a ocorrência de pequenos tremores faz parte da dinâmica natural do planeta e, na maioria dos casos, não representa risco à população.

Fonte: Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e relatos de moradores

Fonte: José Fernando Ogura

Tópicos: